O aquecimento global traz uma série de consequências, e uma delas é a possível elevação nos casos da perigosa ameba comedora de cérebro, a Naegleria fowleri. De acordo com um artigo publicado na Eukaryotic Microbiology, as mudanças na temperatura da água doce podem favorecer organismos como essa ameba.
A N. fowleri, um organismo unicelular que prospera em temperaturas quentes, vive no solo e na água doce, alimentando-se de bactérias, como muitas outras de sua espécie.
Essa ameba normalmente se esconde em lagos, rios, fontes termais, água de poço, água de torneira e piscinas mal conservadas, entre outras fontes de água.
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A Naegleria fowleri causa uma infecção mortal conhecida como meningoencefalite amebiana primária, que ocorre quando essas amebas entram no nariz através da água doce e chegam ao cérebro.
Ameba em água doce
“N. fowleri prospera naturalmente em água doce e solo e acredita-se que esteja associada a temperaturas elevadas da água”, diz o estudo.
Os pesquisadores examinaram os efeitos interativos da temperatura, pH e salinidade em N. fowleri em diferentes tipos de água.
O estudo analisou três temperaturas (15, 25, 35 °C), níveis de pH (6,5, 7,5, 8,5) e concentrações de salinidade (0,5%, 1,5%, 2,5% NaCl) para avaliar o crescimento da ameba.
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“Os resultados indicaram que N. fowleri cresceu melhor a 25 °C, e múltiplos efeitos interativos ocorreram entre fatores abióticos. As interações variaram ligeiramente pelo tipo de água, mas foram amplamente impulsionadas pela temperatura e salinidade”, acrescenta o estudo.
Os pesquisadores reconhecem a necessidade de compreender melhor a ecologia microbiana dessa ameba para reduzir a exposição a patógenos.
Ameba comedora de cérebro
Quando a ameba entra no cérebro através dos nervos do nariz, pode destruir células cerebrais. A meningoencefalite amebiana primária, também conhecida como naegleríase, evolui rapidamente e pode causar alterações no olfato ou paladar, dor de cabeça, náusea e vômitos. Nos estágios mais graves, pode resultar em confusão mental e morte, como ocorreu com um homem nos EUA em 2023 e duas crianças no mesmo país em 2021.
Os sintomas geralmente começam de um a 12 dias após a exposição à ameba, e a morte pode ocorrer em até 18 dias após o início dos sintomas. Apesar de tudo, a infecção é considerada rara.
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