O entusiasmo inicial em torno das startups de proteínas alternativas, impulsionado por nomes como Impossible Foods e Beyond Meat, deu lugar a uma realidade mais dura em 2024. Após atrair investimentos superiores a US$ 1,6 bilhão, o setor enfrenta dificuldades significativas, com muitas startups sendo forçadas a reavaliar suas operações ou até mesmo fechar suas portas.
A promessa de revolução no consumo de proteínas ainda não se concretizou. Dados do TechCrunch revelam que, apesar de cerca de 200 startups terem surgido globalmente, a produção anual de carnes plant-based é de apenas 15 mil toneladas, comparada às 500 mil toneladas de carne animal.
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Paul Shapiro, CEO da Better Meat, destacou que o panorama atual é um “choque de realidade” para o setor, que ainda está longe de alcançar uma presença significativa no mercado. Segundo ele, qualquer expectativa de ver carne cultivada em grandes redes de supermercados ou fast foods na próxima década é irrealista.
O cenário desafiador é exacerbado pelo “inverno dos VCs”, que reduziu drasticamente o financiamento disponível. Startups como New Age Eats encerraram suas atividades no início de 2023 devido à falta de capital, enquanto a Upside Foods e a Aleph Farms enfrentaram demissões e adiamentos de projetos.
David Kaplan, professor de engenharia biomédica da Tufts University, aponta que o ambiente econômico e a retração nos investimentos estão tornando o mercado biotecnológico extremamente cauteloso. De acordo com dados do CrunchBase, os investimentos em proteínas alternativas caíram drasticamente em 2024, de mais de US$ 1,6 bilhão em 2021 e 2022 para menos de US$ 20 milhões até junho deste ano.
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No Brasil, o impacto também é evidente. A BRF descontinuou sua linha de produtos plant-based, enquanto a JBS encerrou suas atividades com a Planterra. Para enfrentar esses desafios, a Fazenda Futuro diversificou sua oferta para incluir produtos como leite de aveia e planeja expandir para queijo e bacon. Apesar de um portfólio em crescimento e um valor de mercado de R$ 2 bilhões em 2021, a empresa ainda luta para alcançar a lucratividade.
A NotCo, outra startup brasileira, optou por expandir sua atuação licenciando sua tecnologia para outros fabricantes de alimentos, após uma rodada de financiamento que não aumentou sua avaliação. A estratégia visa adaptar-se às mudanças do mercado e buscar novos caminhos para crescimento.
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