Sophie Price denunciou ter ficado sem receber refeições em um hospital no País de Gales, no Reino Unido, enquanto acompanhava a filha recém-nascida, internada com problemas respiratórios e uma infecção no sangue. A jovem de 22 anos afirmou que a alimentação foi negada porque ela não estava amamentando a bebê, que tinha apenas cinco dias de vida. O caso aconteceu no Grange University Hospital, na cidade de Cwmbran, e foi divulgado pela BBC e pela revista People.
Segundo Sophie, a situação ocorreu poucos dias após o nascimento de Florence, sua primeira filha. A jovem ainda se recuperava do parto quando precisou retornar ao hospital com o marido, Ryli Price, depois de perceber que a bebê apresentava dificuldades para respirar e alterações na coloração da pele.
O casal havia recebido alta e estava em casa havia apenas 24 horas quando os sintomas começaram. “Florence começou a emitir sons muito fortes, como grunhidos. Parecia um estertor de morte vindo do peito até a boca”, contou Sophie à BBC.
A recém-nascida foi diagnosticada com bronquiolite, infecção por rinovírus e uma infecção no sangue. Como os pulmões apresentavam dificuldades para funcionar sozinhos, ela precisou receber suporte respiratório por meio de um equipamento que fornecia ar através de uma máscara.
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Enquanto acompanhava o tratamento da filha, Sophie relatou que passou cerca de 28 horas sem comer. Ela contou que estava com fome, exausta e ainda enfrentava as consequências físicas do parto, ocorrido menos de uma semana antes.
Ao perceber um carrinho de refeições na enfermaria, a jovem foi questionada sobre sua alimentação. Entretanto, quando informou que a filha estava recebendo fórmula infantil porque não conseguia se alimentar de seu leite materno, teria sido avisada de que não poderia receber comida. “Foi uma experiência horrível. Eu só precisava de uma refeição quente para continuar cuidando da minha filha”, declarou à BBC.
De acordo com Sophie, a justificativa apresentada foi que ela não era mais considerada paciente do hospital. Como Florence estava internada na ala pediátrica, apenas mães que amamentavam teriam direito às refeições fornecidas pela unidade.
A bebê permaneceu hospitalizada durante três semanas. Nesse período, a família afirma ter gastado mais de mil libras, aproximadamente R$ 7 mil, com refeições compradas na lanchonete do hospital e pedidos de comida. Quando a licença-paternidade do marido terminou, Sophie passou a depender de familiares para levar alimentos até o quarto da filha.
A jovem também relatou que, inicialmente, recebeu a informação de que precisaria levar a própria fórmula infantil para alimentar Florence. Segundo ela, o hospital passou a fornecer o produto após sua mãe entrar em contato com a instituição.
Procurado pela revista People, o Conselho de Saúde Universitário Aneurin Bevan, responsável pelo hospital, lamentou a experiência relatada por Sophie e explicou que existem regras diferentes para o fornecimento de refeições nas maternidades e nas enfermarias pediátricas. “Em nossas maternidades, as mães são pacientes por direito próprio e, portanto, recebem refeições como parte de seus cuidados, estejam amamentando ou não”, informou a instituição.
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O órgão esclareceu que, na ala pediátrica, as refeições costumam ser oferecidas às mulheres que amamentam porque a alimentação materna está diretamente relacionada à nutrição do bebê. Nos casos em que a criança recebe fórmula infantil, o produto deve ser disponibilizado conforme a necessidade.
A administração também afirmou que as enfermarias podem oferecer alimentos básicos e bebidas a responsáveis que não conseguem deixar os filhos sozinhos, têm dificuldades para acessar a lanchonete ou não contam com apoio familiar. Além disso, existe um sistema de descontos para refeições e a possibilidade de assistência em situações de dificuldade financeira, mediante avaliação individual.
Apesar das críticas à política de alimentação, Sophie fez questão de reconhecer o atendimento médico recebido pela filha. “Sou extremamente grata pelos cuidados que minha bebê recebeu. Os profissionais do NHS trabalharam incansavelmente e foram incríveis, mas a questão é que mães que amamentam e mães que alimentam seus bebês com fórmula precisam ser tratadas igualmente. Ambas precisam de comida apenas cinco dias após o parto”, declarou à People.
A jovem considera a política ultrapassada e discriminatória contra mulheres que não amamentam. Para ela, a forma de alimentação escolhida ou necessária para o bebê não deveria determinar se uma mãe que acompanha o filho hospitalizado tem direito a receber refeições.



