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quinta-feira, outubro 29, 2026

Espanha em luto cobra respostas por falha “inadmissível” em tragédia ferroviária

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Espanha inicia três dias de luto após colisão entre trens que deixou ao menos 68 mortos. A investigação apura falhas no controle do tráfego. (Foto: Instagram)

A Espanha iniciou nesta quinta-feira (29) três dias de luto pelas mortes de pelo menos 68 pessoas na colisão entre dois trens ocorrida na véspera. Equipes de resgate seguem procurando vítimas entre os vagões destruídos. As autoridades também informaram que 108 pessoas ficaram feridas, sendo que 58 precisaram ser hospitalizadas. O ministro dos Transportes, Óscar Puente, classificou como “inadmissível” uma falha na gestão do controle do tráfego.

O acidente ocorreu na manhã de quarta-feira (28), por volta das 8h53 no horário local, a cerca de 150 quilômetros ao sul de Madri. Um trem da empresa estatal Renfe, que partiu da capital com destino a Sevilha, atingiu a traseira de uma composição da companhia privada Iryo, que estava parada na mesma linha. O trem da Iryo havia iniciado o trajeto poucos minutos antes.

Segundo Puente, o sistema de sinalização teve uma falha informática por volta das 8h30. O problema provocou a parada automática de seis trens que circulavam na região, incluindo as duas composições envolvidas na colisão. Pouco depois, porém, o centro de controle autorizou o trem da Renfe a retomar a viagem. O ministro chamou a decisão de “errada” e “inexplicável”.

Em aproximadamente 15 minutos, o trem da Renfe percorreu 25 quilômetros antes de atingir a composição da Iryo, que continuava parada. A velocidade no momento do impacto ainda não foi estabelecida. A colisão ocorreu em um trecho reto, e Puente afirmou que o centro de controle teve “tempo de sobra para verificar o erro, mas não o corrigiu”.

A investigação continua, enquanto o governo de Pedro Sánchez enfrenta críticas pela condução da rede ferroviária. O acidente, o mais grave na Espanha desde 2013, reacendeu o debate sobre a segurança dos trens e ocorreu menos de um ano depois de outra colisão de composições de alta velocidade em Adamuz, na Andaluzia, que deixou 46 mortos. A tragédia de Adamuz aconteceu em 18 de janeiro e também gerou críticas da oposição.

O novo acidente ocorreu a um mês das eleições legislativas antecipadas, convocadas por Sánchez para 29 de novembro. Na quarta-feira, no local da tragédia, o primeiro-ministro prometeu uma apuração rigorosa: “Vamos chegar até o fim. E, se houve negligência, a verdade virá à tona”. Durante a noite, equipes de emergência vasculharam os destroços e usaram guindastes para remover partes de metal retorcidas.

Em Urda, no centro-sul da Espanha, uma escola foi adaptada para receber familiares em busca de informações. A psicóloga Carmen García afirmou que seriam “horas longas e difíceis” e relatou que havia pessoas em choque, revoltadas, tristes e preocupadas. A Guarda Civil instalou postos de atendimento em Madri, Toledo, Córdoba e Sevilha para coletar amostras de DNA e ajudar na identificação das vítimas. Também foram organizados pontos para doação de sangue em Castela-Mancha e Madri.

Entre os sobreviventes, o turista peruano Josimar Medina, de 31 anos, contou que viajava com a namorada no trem da Renfe quando foi surpreendido pelo impacto: “Eu acordei e estava no ar”. Pablo Mejía, de 42 anos, disse que a batida pareceu durar uma eternidade e que mudar de vagão em busca de um assento mais confortável pode ter salvado sua vida. “Acho que nasci de novo”, afirmou. As equipes continuavam procurando vítimas nas áreas mais atingidas. Emiliano García-Page, presidente de Castela-Mancha, disse que ainda não se sabia se haveria mais corpos entre os vagões removidos.

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