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quinta-feira, outubro 29, 2026

Flávio Bolsonaro se declara líder do Brasil em nova versão de carta

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Após deixar o Brasil, Flávio Bolsonaro alterou o texto de uma carta: passou a se apresentar como “líder do Brasil”, em vez de “presidente eleito”. Ele também repetiu acusações de fraude eleitoral, embora a alegação sobre mais de 10 milhões de votos no segundo turno seja falsa, segundo dados do TSE. (Foto: Instagram)

Após aliados divulgarem uma carta em que Flávio Bolsonaro (PL) se apresentava como “presidente eleito do Brasil”, o senador publicou uma nova versão e passou a se definir como “líder do Brasil”. A mudança ocorreu depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alfredo Gaspar, vice em sua chapa, Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e aliado de Flávio, reconheceram o resultado das eleições. Flávio deixou o país na segunda-feira, 26, após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva, e desembarcou na Flórida, nos Estados Unidos, na quarta-feira, 28, depois de cruzar a fronteira com a Argentina.

No comunicado divulgado em suas redes sociais, o senador agradeceu a Javier Milei, presidente da Argentina, a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e ao povo americano. Também chamou Trump de defensor da liberdade de expressão. Flávio alegou que houve fraude na eleição e afirmou que Lula recebeu mais de 10 milhões de votos entre o primeiro e o segundo turno devido a uma suposta atuação ilegal de um ex-advogado do presidente e a uma decisão do STF que teria prorrogado a votação.

A alegação sobre os votos é falsa. Segundo o TSE, as urnas registraram apenas 34 mil votos entre 17h e 19h no segundo turno da eleição presidencial. Além disso, tanto o PL quanto o Partido dos Trabalhadores (PT) solicitaram o adiamento do horário de votação, diante de problemas no transporte público em diversas cidades brasileiras.

Flávio acusou a campanha petista de abuso de poder político e econômico e de usar a máquina pública em favor da reeleição. Disse que os fatos justificariam a cassação da chapa Lula-Alckmin. No texto, também afirmou que a reação a seus questionamentos teria dado início a uma perseguição política. Alegou que um juiz, a quem atribuiu envolvimento em escândalo de corrupção, teria colocado em marcha esse processo sete minutos após a suposta fraude.

O senador declarou que não pretendia deixar o país, mas afirmou ter levado a família aos Estados Unidos por receio de perseguição. Negou haver mandado de prisão contra si e descreveu como possíveis etapas de uma suposta “caça às bruxas” a apreensão de passaporte, o uso de tornozeleira eletrônica, a censura, a prisão domiciliar e uma condenação política. Também acusou a Suprema Corte de agir a serviço de uma organização criminosa petista.

Para justificar sua atuação fora do Brasil, citou Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí, além de Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado. Comparou suas trajetórias à própria e afirmou que lideraria a oposição do exterior. Disse que pretende ser a voz de seus 60 milhões de eleitores e do povo brasileiro, e pediu às instituições que restabeleçam o equilíbrio entre os Poderes.

Ao final, Flávio pediu à comunidade internacional que não trate como normal o que, segundo ele, ocorre no Brasil. Também se dirigiu a senadores, deputados e governadores que ajudou a eleger, com menção especial a Rogério Marinho, seu candidato à presidência do Senado. Afirmou que dirá do exterior o que eles não poderiam dizer no país e assumirá os riscos que, segundo ele, os aliados não podem correr.

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