
Lula e Flávio Bolsonaro discutiram economia, infraestrutura e saúde no último debate presidencial antes do segundo turno. (Foto: Instagram)
O último debate presidencial antes do segundo turno das eleições de 2026 foi realizado na noite de sexta-feira, 23, pela TV Globo. Lula e Flávio Bolsonaro concentraram boa parte do confronto em propostas para economia, infraestrutura e saúde, deixando acusações de corrupção e ataques pessoais para o bloco final. Lula alertou que uma vitória do adversário poderia ameaçar programas sociais e piorar os serviços públicos. Flávio prometeu proteger os mais pobres, refinanciar dívidas e recuperar o poder de compra da população.
Nos três primeiros blocos, os assuntos foram definidos previamente e relacionados a regiões brasileiras. Uma mudança em relação ao encontro anterior permitiu que apenas o candidato com a palavra circulasse livremente pelo palco. Um dos confrontos pessoais ocorreu depois que Flávio chamou Lula de “nove dedos”. Irritado, o presidente o chamou de “miliciano” e afirmou que ele havia sido funcionário fantasma quando jovem. Flávio pediu desculpas caso o tivesse ofendido.
A discussão começou com o investimento necessário para ampliar as exportações. Flávio disse que o país havia voltado a ser um “cemitério de obras” e prometeu construir ferrovias e conceder rodovias, com isenção de pedágio para motociclistas. Também citou diversas vezes o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que, segundo aliados, o ajudou a se preparar para o debate. Lula mencionou o novo Programa de Aceleração do Crescimento e obras em andamento no país, incluindo o túnel Santos-Guarujá.
Lula defendeu sua política de valorização do salário mínimo e afirmou que Flávio não daria aumentos acima da inflação ao mínimo e às aposentadorias. O senador rebateu, prometendo reajustes reais e dizendo que não privatizaria a Caixa Econômica Federal nem o Banco do Brasil. Também criticou os gastos do governo e a carga tributária. Ao falar de agronegócio e exportações, Lula afirmou que o Brasil abriu novos mercados após as tarifas impostas pelos Estados Unidos.
No segundo bloco, Lula perguntou a Flávio sobre antigas publicações nas quais ele chamava o Bolsa Família de “bolsa-farelo” e sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual no Rio de Janeiro. Flávio disse que mudou de opinião sobre a licença depois de se casar e ter filhos. Na discussão econômica, prometeu comprar dívidas bancárias e refinanciá-las. Lula afirmou que a proposta já havia sido apresentada por ele e citou medidas anunciadas na reta final da campanha.
A saúde e a segurança pública também foram debatidas. Flávio defendeu o SUS e prometeu reajustar os valores pagos pela União por exames e cirurgias em hospitais estaduais e municipais. Lula abordou a morte de Ana Clara Gomes Machado, atingida por um tiro de fuzil durante uma ação policial, e questionou a atuação de Flávio na defesa do policial Bruno Dias Delaroli, acusado pelo disparo. O senador defendeu o policial e disse que queria ajudar a mãe da menina a identificar o autor. As acusações mútuas e os desafios para abrir sigilos bancários ficaram para o bloco final.



