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sexta-feira, outubro 23, 2026

Perigo silencioso? Excesso de açúcar pode afetar a saúde das crianças

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O consumo frequente de alimentos com açúcar adicionado durante a infância pode contribuir para o desenvolvimento de problemas metabólicos, incluindo o acúmulo de gordura no fígado e a resistência à insulina. O alerta foi compartilhado por um microbiologista, que comparou os efeitos do consumo excessivo de açúcar aos prejuízos provocados pelo álcool, destacando a importância de observar a quantidade de refrigerantes, doces e produtos ultraprocessados presentes na alimentação das crianças.

Embora sejam substâncias diferentes, o açúcar e o álcool podem afetar a saúde do fígado por mecanismos distintos. O álcool tem efeitos tóxicos conhecidos sobre o organismo e não deve ser consumido por crianças. Já o açúcar adicionado, quando ingerido em excesso, está associado a alterações metabólicas que podem surgir antes mesmo da vida adulta.

Entre as principais preocupações está a doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado. Pesquisas científicas apontam que a ingestão elevada de açúcares livres pode contribuir para esse quadro, especialmente quando acompanhada de outros fatores relacionados à alimentação e à saúde metabólica.

Um estudo publicado em 2019 na revista científica JAMA avaliou adolescentes do sexo masculino que apresentavam doença hepática gordurosa não alcoólica, denominação utilizada na época. Durante oito semanas, um grupo seguiu uma alimentação com baixo teor de açúcares livres. Os pesquisadores observaram uma redução maior da gordura no fígado nesse grupo em comparação com os participantes que mantiveram a alimentação habitual.

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Os resultados reforçaram a importância da alimentação no cuidado com a saúde hepática, mas não significam que o açúcar tenha os mesmos efeitos tóxicos do álcool. A comparação entre as duas substâncias exige cautela, já que seus mecanismos de ação e os riscos associados ao consumo são diferentes.

Além do fígado, o consumo elevado de açúcar adicionado pode contribuir para o ganho de peso e para alterações na regulação da glicose. A resistência à insulina, condição em que as células passam a responder de maneira menos eficiente à ação desse hormônio, também está entre os problemas associados a padrões alimentares inadequados.

A qualidade da alimentação pode influenciar ainda a microbiota intestinal, formada por microrganismos que participam de diferentes funções do organismo. Dietas com excesso de produtos ultraprocessados e baixa ingestão de fibras podem alterar sua composição, embora os efeitos específicos do açúcar dependam de diferentes fatores alimentares e individuais.

Em relação ao cérebro, os estudos investigam possíveis associações entre padrões alimentares ricos em açúcar, alterações metabólicas e aspectos do funcionamento cognitivo. Entretanto, as evidências disponíveis não permitem afirmar que o consumo habitual de açúcar provoque danos cerebrais equivalentes aos causados pelo álcool.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos e crianças mantenham a ingestão de açúcares livres abaixo de 10% das calorias consumidas diariamente. A entidade também sugere uma redução para menos de 5%, medida que pode proporcionar benefícios adicionais à saúde. Essas recomendações incluem o açúcar acrescentado aos alimentos, além daquele presente naturalmente no mel, nos xaropes e nos sucos de frutas.

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O açúcar encontrado naturalmente em frutas inteiras, por outro lado, não recebe a mesma classificação. Isso ocorre porque esses alimentos também fornecem fibras e outros nutrientes importantes para o organismo. Por esse motivo, as orientações de saúde pública concentram a atenção principalmente na redução de bebidas açucaradas, doces e outros produtos com grandes quantidades de açúcar adicionado.

A relação entre alimentação e saúde infantil também foi abordada em uma declaração científica publicada em 2017 pela Associação Americana do Coração. O documento reuniu evidências sobre os riscos cardiovasculares associados ao consumo excessivo de açúcares adicionados e destacou a importância de limitar sua presença na alimentação das crianças.

As pesquisas reforçam que os hábitos alimentares estabelecidos durante a infância podem influenciar a saúde ao longo da vida. Por isso, a redução do consumo frequente de bebidas açucaradas e produtos com excesso de açúcar faz parte das estratégias de prevenção de alterações metabólicas e outras doenças relacionadas à alimentação.

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