
Cartaz com María Corina Machado ergue-se em protesto por eleições em Caracas (Foto: Instagram)
Milhares de manifestantes percorreram as ruas de Caracas nesta quinta-feira (22) exigindo a realização imediata de eleições presidenciais e o retorno da líder opositora María Corina Machado, exilada no Panamá desde o final de 2025. A mobilização busca pressionar os interlocutores do governo interino e da oposição, que vêm negociando a transição política com mediação dos Estados Unidos.
A concentração ocorreu na Plaza Venezuela, na região central da capital, reunindo um público heterogêneo: estudantes de diversas universidades, militantes de partidos de oposição, sindicalistas e parentes de presos políticos. Apesar dos diferentes perfis, todos clamavam por um pleito transparente e ágil, como meio de contornar a grave crise institucional que afeta o país.
Durante a passeata, cartazes com dizeres como “Eleições já, e desta vez não vão nos roubar” e “MCM Corajosa” destacaram o apoio unânime à principal referência opositora. María Corina Machado, que venceu as primárias do bloco adversário de Nicolás Maduro em outubro de 2023, mantém alta popularidade entre os grupos que lutam por renovação política e políticas econômicas liberais.
Um professor universitário ouvido pela correspondente Alice Campaignolle, da RFI, afirmou acreditar que a guinada democrática na Venezuela está próxima. “María Corina representa toda a nação. Ela venceu as primárias e recebeu naquela ocasião o apoio popular. Isso segue valido hoje. É impossível deixá-la de lado”, destacou o docente, reforçando o simbolismo de Machado nas ruas de Caracas.
Os organizadores do protesto alimentavam a expectativa de que a líder opositora retornasse ao país exatamente três anos após sua vitória nas primárias, mas Machado não conseguiu ingressar no território venezuelano. Os motivos para as restrições à volta permanecem difusos, o que intensifica os apelos por garantias de segurança e liberdade de circulação no processo eleitoral.
Enquanto isso, as negociações entre o governo interino e a oposição prosseguem em Caracas sem um cronograma oficial. Em sua terceira rodada, concluída esta semana, ambas as partes reafirmaram o compromisso de realizar as eleições presidenciais, mas não definiram datas ou regras específicas, fato que alimenta a insatisfação dos opositores.
Ainda durante o ato, o partido Vente Venezuela informou que sete manifestantes foram detidos pelas forças de segurança, sem que houvesse informações sobre seu paradeiro até o fechamento das atividades. A legenda reforça a defesa de um pleito em 2027, cronograma que, segundo a presidente interina Delcy Rodríguez, será cumprido, embora ainda sem data anunciada.



