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sexta-feira, outubro 23, 2026

Melhor estratégia para Flávio Bolsonaro e Lula no último debate da Globo?

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Candidatos do PL e do PT frente a frente no segundo debate da Globo (Foto: Instagram)

A menos de 48 horas do segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se enfrentam pela segunda e última vez no debate da Globo, na noite desta sexta-feira, 23 de agosto. O primeiro confronto, realizado no domingo, 18, na Band, foi marcado por trocas ríspidas e provocações intensas. Com o eleitorado ainda dividido, espera-se que o nível de agressividade permaneça semelhante ao do encontro anterior.

Para a professora de Comunicação e Publicidade da ESPM e pesquisadora da Unicamp, Fernanda Polidoro, a atual polarização e a influência das redes sociais têm estimulado candidatos a buscar frases de impacto. “Eles falam não só para quem assiste ao vivo, mas também para quem verá recortes depois nas plataformas digitais, o que incentiva provocações e confrontos”, analisa.

O cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, prevê que temas que despertem medo, raiva e frustração continuarão em destaque. Ele acredita que o tom agressivo só mudaria se algo excepcionalmente republicano e democrático ocorresse. Prando também destaca o bom preparo de Flávio Bolsonaro para gerar trechos virais, mas observa que não houve vencedor claro no primeiro debate.

Dados da pesquisa Quaest, divulgados após o encontro na Band, indicam que o número de eleitores sem preferência espontânea dobrou, resultado atribuído pelo CEO da Quaest, Felipe Nunes, à reação do público ao clima de confronto e à campanha negativa. “Mais eleitores passaram a não declarar voto espontaneamente após analisarem o tom dos ataques e o nível do debate”, afirma Nunes.

Na avaliação de analistas, Lula deve repetir a ênfase em propostas e resultados de sua gestão, pontos nos quais se saiu melhor no primeiro duelo. Já Flávio precisa desenvolver com mais consistência suas ideias para segurança pública e aprofundar críticas ao custo de vida, tema caro ao eleitor descontentes com o cenário econômico.

Além disso, Polidoro ressalta que Flávio Bolsonaro enfrenta o desafio de provar que sua candidatura vai além da relação com o ex-presidente Jair Bolsonaro. “É preciso demonstrar um projeto próprio de governo, não apenas oposição ao PT ou prolongamento do bolsonarismo”, afirma a pesquisadora.

Outro ponto sob análise é a postura física: no debate da Band, Flávio se posicionou repetidamente atrás de Lula, estratégia que lembraria modelos internacionais, como a eleição de 2016 nos EUA. Internautas associaram a atitude a orientações de Pablo Marçal, que já usou gestos provocativos em campanhas anteriores.

O debate da Globo terá quatro blocos, com regras de movimentação e tempo definidos. Nos três primeiros, os candidatos responderão a temas sorteados e poderão circular após receber a palavra. No quarto bloco, terão oito minutos livres para expor ideias sem limite de intervenções. A expectativa é que ambos equilibrem a provocação com a defesa de propostas, evitando ceder ao embate de ataques para não perderem o controle dos temas.

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