Após enfrentar anos de insônia crônica, Cieran Brown conseguiu recuperar a qualidade do sono com um tratamento oferecido gratuitamente pelo sistema público de saúde do Reino Unido (NHS). O problema começou em 2015, após a morte inesperada de sua mãe, quando passou a utilizar Valium para conseguir dormir. Oito anos depois, conseguiu interromper o uso do medicamento, mas enfrentou ansiedade intensa, tremores noturnos e dificuldades persistentes para descansar.
Durante esse período, as noites eram marcadas por apenas duas ou três horas de sono interrompido. O cansaço passou a comprometer a concentração, o trabalho e a vida social, levando ao cancelamento de compromissos e encontros com familiares e amigos.
Após procurar ajuda médica, a pessoa foi encaminhada ao Royal London Hospital for Integrated Medicine, onde participou de um programa de cinco semanas conduzido pela psicoterapeuta Catherine Ouriach. O tratamento utilizava a terapia cognitivo-comportamental para insônia (CBT-I), voltada à mudança de hábitos e pensamentos que prejudicam o descanso.
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Entre as orientações estavam manter horários fixos para dormir e acordar, evitar cochilos durante o dia, reduzir o uso de telas e reservar o quarto exclusivamente para o sono. O programa também abordou os efeitos da cafeína, do álcool e da nicotina, além de ensinar técnicas de relaxamento muscular.
Uma das recomendações mais difíceis foi a regra dos 15 minutos: caso não conseguisse adormecer nesse período, deveria sair da cama e realizar uma atividade tranquila antes de tentar novamente.
Apesar das dificuldades iniciais, os resultados começaram a aparecer ao final do tratamento. A pessoa passou a adormecer com mais facilidade, permanecer dormindo por períodos maiores e apresentar mais disposição durante o dia.
Na última sessão, Cieran explicou que a pressão para conseguir dormir pode acabar dificultando o processo. Para ilustrar, comparou o sono a uma pomba pousada na palma da mão. “Quanto mais você tenta segurá-la, maior a chance de ela voar”, explicou.
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O acompanhamento também ajudou a identificar que o medo de não conseguir dormir contribuía para manter a insônia. Uma das técnicas ensinadas consistia em reservar de 20 a 30 minutos antes de deitar para lidar com preocupações, evitando levá-las para a cama.
Após concluir o programa, ele realizou um estudo do sono em um hospital, que não identificou alterações significativas. Com a continuidade das técnicas, passou a dormir entre sete e nove horas por noite, embora ainda enfrente interrupções ocasionais.
Recentemente, durante os cuidados com o pai em estado terminal, voltou a apresentar dificuldades para descansar. No entanto, conseguiu utilizar as estratégias aprendidas para evitar o retorno da insônia crônica, mantendo uma rotina de sono mais estável mesmo durante o período delicado.



