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quarta-feira, outubro 21, 2026

Menina de 5 anos que entrou na puberdade aos 10 meses pode ter óvulos congelados pela mãe

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Uma menina britânica de 5 anos, que começou a apresentar sinais de puberdade quando tinha apenas 10 meses de vida, pode passar por um procedimento de preservação da fertilidade no futuro. A mãe, Sophie Dumas, de 41 anos, moradora de Londres, na Inglaterra, estuda a possibilidade de congelar os óvulos da filha, Sienna, diagnosticada com puberdade precoce central. A criança recebe injeções hormonais para interromper o desenvolvimento puberal, enquanto a família acompanha os possíveis efeitos da condição em sua saúde.

A história foi relatada por Sophie ao portal britânico Need To Know. Segundo ela, os primeiros sinais foram identificados por uma profissional de saúde que percebeu um aumento no tecido mamário da bebê. Até aquele momento, a mãe não havia observado nenhuma alteração que considerasse preocupante.

“Sienna era uma bebê feliz e saudável. Eu não tinha percebido o desenvolvimento das mamas antes e, como os bebês geralmente são mais gordinhos, o que os torna ainda mais adoráveis, e ela também era amamentada, não achei que houvesse nada fora do comum em sua aparência”, contou.

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Após a observação da profissional, Sophie procurou atendimento médico e recebeu encaminhamento para especialistas em endocrinologia pediátrica. Os exames identificaram a puberdade precoce central, condição caracterizada pela ativação antecipada dos mecanismos cerebrais responsáveis pelo início da puberdade.

O diagnóstico veio depois de uma série de procedimentos hospitalares. Sienna precisou realizar testes de estimulação hormonal, com coletas de sangue e aplicação de uma substância sintética para avaliar a resposta de seu organismo. Também passou por radiografias para verificar a idade óssea e por uma ressonância magnética para investigar possíveis alterações cerebrais associadas à condição.

A mãe relatou que as investigações foram difíceis, especialmente porque a filha ainda era um bebê. Em uma das ocasiões, a criança ficou tão agitada durante os procedimentos que houve problemas com o acesso venoso, obrigando a equipe a recorrer a outra forma de coleta de sangue.

Sem conhecer a doença, Sophie começou a pesquisar sobre o diagnóstico e procurou outras famílias que enfrentavam situações semelhantes. No entanto, encontrou principalmente relatos de crianças que haviam desenvolvido a condição aos 7 ou 8 anos, uma realidade diferente daquela vivida por sua filha. “Isso faz com que a gente se sinta muito isolada, e ainda tenho muitas perguntas sobre o assunto, principalmente sobre como posso explicar tudo isso para Sienna”, afirmou.

Para controlar o avanço da puberdade, a menina iniciou um tratamento com medicamentos conhecidos como análogos de GnRH, que atuam na supressão dos estímulos hormonais responsáveis pelo desenvolvimento puberal.

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Atualmente, Sienna recebe uma injeção a cada quatro semanas. A previsão informada à família é de que o acompanhamento e as aplicações continuem até aproximadamente os 11 ou 12 anos, dependendo de seu desenvolvimento e da avaliação médica.

Embora o tratamento tenha como objetivo impedir a progressão antecipada da puberdade, a rotina de aplicações ainda representa um desafio para a criança. “Há muitas ocasiões em que ela chuta, grita, se esconde e, como mãe, é um ato de amor, sabendo que é o melhor para ela, mas isso acaba comigo por dentro”, relatou Sophie.

Além do tratamento, a família precisa lidar com manifestações físicas associadas às alterações hormonais. Sienna apresenta acne, e a mãe contou que a menina já foi alvo de comentários de colegas na escola, que confundiram as lesões de pele com catapora.

Segundo Sophie, a filha ainda não compreende completamente sua condição e, por isso, tem dificuldade para explicar aos colegas o motivo das diferenças em sua aparência. “Isso me deixa muito triste. Ninguém quer pensar no próprio filho ficando chateado, especialmente quando é por algo que outra pessoa disse”, declarou.

A preocupação com o futuro também levou Sophie a pesquisar alternativas de preservação da fertilidade. Ela teme que a condição possa interferir na possibilidade de Sienna ter filhos quando adulta, caso esse seja seu desejo. “Atualmente, estou pesquisando essa possibilidade, caso a condição dela afete sua fertilidade mais tarde”, explicou.

A mãe afirmou que o receio surgiu logo após o diagnóstico, quando começou a pensar nas consequências que a puberdade precoce poderia trazer para a vida da filha. “Quando ela foi diagnosticada, fiquei preocupada com a possibilidade de ela não conseguir formar sua própria família um dia, se quisesse, e de essa escolha lhe ser tirada”, disse.

Apesar da preocupação, não há informação de que Sienna tenha problemas de fertilidade ou de que o congelamento de óvulos esteja programado. A possibilidade está sendo estudada pela mãe.

A puberdade precoce central pode provocar crescimento acelerado durante a infância, mas também antecipar o amadurecimento dos ossos, o que pode comprometer a altura final na vida adulta. O tratamento hormonal busca controlar esse processo e permitir que o desenvolvimento ocorra em uma idade mais adequada.

Para Sophie, outra preocupação é preservar a infância da filha e evitar que mudanças físicas aconteçam antes de ela estar emocionalmente preparada para compreendê-las.

A britânica também orienta outros responsáveis a procurarem avaliação médica quando perceberem alterações no desenvolvimento dos filhos, mesmo que inicialmente pareçam pequenas. Ela defende a busca por uma segunda opinião quando houver dúvidas sobre os sintomas ou o diagnóstico.

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