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quinta-feira, outubro 22, 2026

Recorde de governadores eleitos no 1º turno gera efeito ambíguo e cenário incerto na disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula

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Urnas eletrônicas prontas para o segundo turno eleitoral (Foto: Instagram)

O histórico número de governadores eleitos já no primeiro turno das eleições estaduais deste ano cria um cenário de incertezas para o segundo turno da disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Com a definição antecipada de titulares dos Palácios Guanabara e dos Leões em 21 unidades da federação, que reúnem cerca de 92% do eleitorado, a ausência de campanhas estaduais ativas tende a reduzir a mobilização política.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 33 milhões de eleitores – o equivalente a 21,07% dos votantes aptos – deixaram de comparecer às urnas no primeiro turno. Historicamente, esse índice costuma aumentar na etapa seguinte. Entre 2002 e 2018, a abstenção cresceu em todos os segundos turnos, e, apesar de uma leve queda em 2022, de 20,9% para 20,6%, a variação foi de apenas 0,36 ponto percentual.

Para Fábio Vasconcellos, professor da UERJ e da PUC-Rio, a antecipação bem-sucedida das eleições estaduais eleva em média 1 ponto percentual a abstenção nacional, mas o impacto varia conforme a região. Em seu estudo que abrange disputas presidenciais de 2002 a 2022, ele aponta que a desmobilização desigual pode beneficiar ou prejudicar cada candidato de modo distinto.

“No Nordeste, onde Lula lidera com seis de cada dez votos, a abstenção é mais problemática para seu desempenho. Já no Sudeste, com forte votação de Flávio Bolsonaro, uma desaceleração local pode afetar mais a candidatura dele. Entretanto, analisando o País como um todo, o efeito agregador tende a se anular”, explica Vasconcellos.

Ele destaca ainda que, no Sudeste, é comum que presidenciáveis ampliem sua votação no segundo turno, porém esse ganho pode ser menor caso as bases estaduais deixem de impulsionar a campanha. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, por exemplo, já definiram seus governadores, enquanto o Espírito Santo realiza o segundo turno entre Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB).

O cientista político Leandro Consentino, do Insper, ressalta o caráter ambíguo desse contexto. “De um lado, a paralisação das campanhas estaduais reduzem o engajamento. De outro, governadores eleitos ou reeleitos ficam livres para dedicar-se às campanhas presidenciais de seus aliados”, avalia, destacando a dobradinha entre palanques.

Cinco estados e o Distrito Federal ainda terão segundo turno para governador, mantendo o ritmo de mobilização local: Espírito Santo (Lorenzo Pazolini e Ricardo Ferraço), Amazonas (Omar Aziz e Maria do Carmo), Rio Grande do Norte (Allyson e Cadu de Lula), Acre (Mailza Assis e Alan Rick), Tocantins (Dorinha e Vicentinho Júnior) e Distrito Federal (Celina Leão e Leandro Grass).

É a primeira vez que a disputa presidencial se apresenta tão equilibrada e simultaneamente conta com tão poucos segundos turnos estaduais. A análise dos resultados finais, sob esse duplo fenômeno inédito, será fundamental para compreender o real peso da dinâmica regional nos votos presidenciais.

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