
Deputada do PSOL-SP acusa senador de tentar enfraquecer emenda que encerra escala 6×1 (Foto: Instagram)
Após a promulgação da emenda que encerra a escala 6×1 e define jornada máxima de 40 horas semanais, a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de planejar enfraquecer ou mesmo derrubar a medida caso ocupe a Presidência. Embora tenha votado favoravelmente no Senado, o parlamentar foi criticado por defender maior flexibilidade nas negociações trabalhistas. Flávio, por sua vez, nega intenção de reverter o descanso remunerado sem redução de salário.
O embate em torno do fim da escala 6×1 ganhou intensidade nos bastidores do Congresso Nacional. A proposta, aprovada com larga maioria, estabeleceu dois dias consecutivos de descanso semanal remunerado e diminuiu gradualmente a carga horária de 44 para 42 e, depois, 40 horas. O resultado teve 75 votos favoráveis e apenas uma posição contrária em cada turno.
Na sexta-feira (16), em entrevista ao portal Poder360, Erika Hilton questionou publicamente as motivações do senador, apontando que ele utilizaria a pauta como estratégia eleitoral. “Eu acho que não vai mudar pontos da PEC. O Flávio Bolsonaro está dizendo que vai mudar pontos porque ele não tem a coragem de dizer que ele vai enterrar e destruir a PEC”, afirmou a deputada, referindo-se à tentativa de alterar o texto após eventual vitória presidencial.
Apesar de ter registrado voto remoto a favor da mudança, Flávio Bolsonaro defendeu em seguida a proposta alternativa apresentada por Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha, que prevê maior liberdade para acordos diretos entre empregadores e empregados. Para Erika, essa proposta paralela tem o objetivo de flexibilizar ainda mais a jornada em detrimento dos direitos trabalhistas já assegurados.
Em resposta durante entrevista à TV Globo na mesma sexta-feira (16), o senador garantiu que não irá reverter o fim da escala 6×1 caso seja eleito. Ele alegou ter mudado de ideia após ouvir relatos de trabalhadores que valorizam a jornada reduzida. Mesmo assim, manteve seu apoio a negociações mais flexíveis, defendendo “adequação” conforme setor e atividade econômica.
A emenda constitucional promulgada no dia 16 terá aplicação gradual. O primeiro estágio reduzirá a jornada semanal de 44 para 42 horas e, depois, para o limite de 40 horas. A medida foi celebrada por sindicatos e movimentos sociais, mas segue alvo de debate político, agora marcado por troca de acusações entre líderes com ambições presidenciais.



