
Lula durante sabatina na TV Globo em 15/10 (Foto: Instagram)
A dez dias do segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de sabatina na TV Globo em 15/10 buscando recuperar terreno após o primeiro turno, no qual ficou atrás de Flávio Bolsonaro. Ele evitou citar o adversário e focou em realizações do governo, assumiu responsabilidade pela avaliação negativa e buscou demonstrar pragmatismo.
Lula surpreendeu ao se declarar favorável a reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos, tema que rejeitava em seus mandatos anteriores. “Crime hediondo exige punição”, afirmou, ressaltando ser necessário discutir a proposta apresentada pelo senador Camilo Santana (PT-CE) sem distorções.
Sobre segurança pública, defendeu maior participação federal, incluindo a criação de um Ministério da Segurança Pública e o financiamento de 138 presídios de segurança máxima em todo o país. Também comparou o PCC e o Comando Vermelho a “terroristas” para as comunidades, mas criticou a tentativa dos EUA de rotulá-los oficialmente como grupo terrorista.
Questionado sobre a avaliação do governo, que o Datafolha aponta em 41% de ruim ou péssima, assumiu integralmente a culpa: “Se eu não conseguir ser compreendido pela sociedade, não posso jogar a culpa em ninguém”. Ele mencionou as “dificuldades” herdadas da gestão de Jair Bolsonaro e o tempo necessário para recuperar o país.
Sobre o diálogo com o Legislativo, ressaltou que sua administração contou com a participação de todos os partidos, exceto o PL, e aprovou 99% das propostas encaminhadas, incluindo uma reforma tributária aguardada há décadas. Para Lula, essa colaboração foi essencial à governabilidade.
Indagado sobre o reajuste de 15,04% no Bolsa Família às vésperas das eleições, afirmou não ter sido informado de que o benefício estava congelado havia quase quatro anos. “Quando soube, determinei a correção imediata”, disse, classificando como “impensável” a falta de atualização.
Na crise do STF, defendeu apuração rigorosa das suspeitas de corrupção envolvendo o Banco Master e ministros, cobrando que “não fique pedra sobre pedra” e que eventuais responsáveis sejam punidos. Criticou a extrema direita por tentar responsabilizar o tribunal e destacou também acusações contra Dias Toffoli, André Mendonça e Kássio Nunes Marques.
Ao comentar a atuação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou tê-lo repreendido por participar de uma festa em Londres associada ao banqueiro Daniel Vorcaro, considerando o episódio incompatível com o cargo. Apesar disso, elogiou seu trabalho e condicionou sua permanência no comando da PF ao resultado das eleições: “Primeiro, preciso ganhar as eleições.”



