Uma mãe da Flórida, nos Estados Unidos, encontrou uma maneira de ajudar o filho de três anos a lidar com a morte do irmão mais novo. Ashlee Hammac instalou uma caixa de areia no túmulo do bebê Ryan, que morreu cinco dias após o nascimento, para que Tucker pudesse brincar durante as visitas ao cemitério. A iniciativa ganhou repercussão nas redes sociais depois que uma fotografia do menino no local foi compartilhada por um grupo de apoio.
A ideia surgiu porque Ashlee, que é mãe solo, passou a frequentar o cemitério diariamente após a perda do bebê e costumava levar Tucker. Ao perceber que o filho gostava de brincar durante as visitas, decidiu adaptar o espaço para que ele pudesse continuar acompanhando a mãe. “Desde que colocamos isso lá, às vezes ele pede para ir brincar com o bebê Ryan… Ele chama aquilo de casa do bebê Ryan”, contou.
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Segundo Ashlee, a caixa de areia também mudou a maneira como Tucker se comporta quando visita o túmulo do irmão. O menino passou a associar o local às brincadeiras e, de acordo com a mãe, consegue conversar sobre Ryan com menos tristeza.
“Ele ama brincar nela. Acho que isso ajuda, porque ele não fica tão triste falando sobre o irmão quando pode ir lá brincar”, explicou.
Ryan nasceu em outubro do ano anterior ao relato, um dia depois do aniversário de Ashlee. O bebê veio ao mundo sem respirar e sem chorar. Segundo a mãe, os médicos identificaram um rompimento da placenta e tentaram reanimá-lo imediatamente.
Embora a equipe tenha conseguido restabelecer os batimentos cardíacos, Ryan sofreu encefalopatia hipóxico-isquêmica grave, condição provocada pela falta de oxigênio no cérebro. Ashlee relatou que o recém-nascido não apresentou atividade cerebral após o parto e morreu cinco dias depois.
Após a perda, a mãe passou a registrar alguns momentos das visitas ao cemitério. Uma das fotografias, que mostrava Tucker brincando perto do túmulo, foi publicada inicialmente para que seus familiares pudessem vê-la.
A imagem, no entanto, foi compartilhada por um grupo de apoio e alcançou milhares de pessoas, acumulando dezenas de milhares de compartilhamentos e reações. Ashlee contou que, inicialmente, teve sentimentos contraditórios sobre a exposição, mas mudou sua percepção ao receber mensagens de apoio.
Com a repercussão, ela também passou a utilizar a visibilidade para compartilhar informações sobre a encefalopatia hipóxico-isquêmica, condição que afetou Ryan.
A psicóloga Robin F. Goodman, que trabalha com famílias enlutadas, explicou que permitir que as crianças participem das conversas e dos momentos relacionados à perda pode contribuir para a compreensão do que aconteceu. “Não é um assunto proibido nessa família. Você não precisa esconder quando algo triste acontece”, afirmou.
Segundo a especialista, crianças pequenas ainda não compreendem completamente o significado da morte e podem reagir de acordo com as emoções dos adultos ao seu redor. Manter a rotina, conversar sobre a perda e permitir que expressem seus sentimentos são algumas das medidas que podem ajudá-las durante o luto.



