Uma mancha escura no pé de Yasmin, de 7 anos, assustou a mãe, Kelly Cristina Berce Lima de Azevedo, de 37, em Assis Chateaubriand, no Paraná. A menina havia colocado um tênis sem perceber que havia um piolho-de-cobra dentro do calçado e só contou o que havia acontecido depois que a região ficou roxa.
O episódio aconteceu no início de agosto. Yasmin percebeu algo dentro do tênis quando estava na escola e chegou a retirar o calçado, mas não tirou a meia. Ela disse que não sentia dor e continuou o dia normalmente, inclusive participando de uma aula de karatê.
Foi durante o banho, por volta das 20h, que Kelly percebeu a alteração no pé da filha. “Fui banhá-la e vi o pezinho dela roxo. Eu perguntei o que que era. Ela falou, ‘ah, mamãe, tinha uma cobrinha dentro do meu tênis’”, relatou.
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Assustada com a aparência da região, a mãe pensou que poderia ser uma aranha-marrom. O marido de Kelly já havia sido picado por uma dessas aranhas e, segundo ela, também não havia sentido dor inicialmente. “Eu entrei em desespero”, lembrou.
A família levou Yasmin para uma emergência. O médico que a atendeu não conseguiu identificar imediatamente a causa da mancha e procurou um especialista. Depois da avaliação, foi constatado que a alteração havia sido provocada pelo contato com um piolho-de-cobra e não apresentava riscos mais graves.
O animal encontrado no tênis era um diplópode. Apesar do nome popular, ele não possui estruturas para inocular veneno. Algumas espécies, porém, liberam substâncias irritantes como mecanismo de defesa, que podem causar irritação e deixar a pele escura ou arroxeada quando há contato.
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No caso de Yasmin, a marca permaneceu por semanas. “Agora já vai completar o segundo mês. Já tem mais de 45 dias”, contou Kelly. Segundo ela, a região ficou muito escura no primeiro mês e foi clareando aos poucos. “O primeiro mês ficou preto total, assim, não clareava nada, daí foi sumindo”, descreveu.
Após o susto, Kelly decidiu compartilhar o caso nas redes sociais para alertar outras famílias sobre a importância de verificar os calçados antes de usá-los. “Por mais que eu oriente a minha filha a bater o tênis, às vezes, eu mesma, na pressa, esqueço”, afirmou.
A publicação também fez outros pais relatarem que desconheciam a possibilidade de o piolho-de-cobra provocar esse tipo de alteração na pele. “Eu não sabia disso e como eu percebi no post, muita gente também não sabia disso sobre o piolho-de-cobra, que é algo tão comum”, contou Kelly. Ela acrescentou: “Foi legal, porque muitos pais vieram agradecer e compartilharam o vídeo”.
Yasmin está bem e passou a adotar outros cuidados além de bater os tênis, como chacoalhar as roupas antes de vesti-las. Na cidade onde a família mora, Kelly também afirma que existe preocupação com a presença de escorpiões. “A gente tem muito medo disso também”, disse.
Apesar de o contato com o piolho-de-cobra geralmente ter evolução considerada benigna, o pediatra orienta procurar atendimento médico diante de alterações na pele. “Pode fazer diferença se houver, eventualmente, uma alteração vascular ou necrose tecidual, mas, em geral, os fluxos arteriais, os pulsos são todos preservados. Costuma ser benigno e a evolução é boa, mas, na dúvida, busque atendimento médico”, concluiu.



