A influenciadora e modelo Anmol Rodriguez, de 25 anos, transformou sua trajetória após sobreviver a um ataque com ácido cometido pelo próprio pai quando tinha apenas dois meses de vida. Segundo seu relato, o homem ficou revoltado porque ela nasceu menina e atacou a filha enquanto estava no colo da mãe, que morreu em consequência do crime. Criada em um orfanato, Anmol enfrentou episódios de discriminação antes de conquistar espaço nas redes sociais e no mercado da moda.
O pai foi preso após o ataque, e Anmol passou a infância em um orfanato. Apesar das circunstâncias que a levaram até a instituição, ela conta que guarda boas lembranças daquele período e que só começou a perceber o preconceito quando passou a conviver em outros ambientes.
“Eu nunca percebi que era diferente até ser lançada no mundo real. Só tenho lembranças felizes do meu orfanato. Eu tinha quatro amigas muito próximas e nunca pensei que seria tratada de forma diferente delas”, relembra.
As dificuldades se intensificaram quando ela ingressou na SNDT Women’s University, em Mumbai, na Índia. Durante o trajeto até a universidade, Anmol passou a enfrentar olhares e comentários de desconhecidos. A experiência afetou sua saúde mental e contribuiu para que desenvolvesse depressão e abandonasse o curso.
Posteriormente, a jovem retomou os estudos em casa, com o acompanhamento de uma tutora. Segundo Anmol, o apoio foi importante não apenas para sua formação acadêmica, mas também para que conseguisse ingressar no mercado de trabalho. “Minha tutora realmente me ajudou a enxergar a luz. Ela não apenas me ensinou a focar em mim mesma e nos meus objetivos, mas também me ajudou a concluir a universidade e encontrar um emprego”, afirma.
Depois de concluir os estudos, Anmol conseguiu uma vaga como desenvolvedora de software. No entanto, apenas dois meses após a contratação, foi dispensada. Ela afirma que inicialmente não recebeu nenhuma explicação para a decisão e que, ao procurar a empresa, descobriu que sua aparência havia sido apontada como motivo da demissão.
“Um dia, fui informada de que não precisava mais comparecer ao trabalho. Eles nem me disseram o motivo. Só quando perguntei alguns dias depois é que me disseram que meu rosto estava causando desconforto aos meus colegas”, relatou.
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Após o episódio, Anmol começou a compartilhar fotografias nas redes sociais. Embora pessoas próximas tenham demonstrado preocupação com a possibilidade de ataques e comentários ofensivos, ela conta que a recepção inicial foi diferente do que esperava. “Eu fui a primeira sobrevivente de ataque com ácido a compartilhar fotos de mim mesma nas redes sociais. Na época, o Facebook era a ferramenta mais popular. Meus amigos não acharam que fosse uma boa ideia no começo. Eles achavam que as pessoas iriam me atacar. Mas o que eu recebi foi apreciação e respostas positivas”, disse.
A repercussão das publicações abriu caminho para trabalhos como modelo. Anmol passou a receber convites de marcas e estilistas, além de participar de desfiles e campanhas publicitárias.
Atualmente, ela utiliza sua visibilidade para abordar questões relacionadas à aparência e à aceitação. A influenciadora afirma que prefere publicar imagens sem filtros, embora continue recebendo comentários negativos. “Eu posto principalmente conteúdo sem filtros porque quero romper com a ideia de que é preciso mostrar apenas a versão mais refinada ou embelezada de si mesma nas redes sociais. Não é como se eu não recebesse críticas. As pessoas me atacam e fazem comentários negativos. Mas eu sempre tenho em mente que é um espaço virtual, então nunca levo nada para o lado pessoal”, contou.
Ao compartilhar sua história, Anmol também busca mudar a maneira como a sociedade trata pessoas que sobreviveram a ataques com ácido. Para ela, além das consequências físicas e emocionais da violência, as vítimas precisam enfrentar dificuldades relacionadas à aceitação social. “Eu só testemunhei dois tipos de atitudes da sociedade, simpatia ou indiferença. Quero transformar isso em empatia, aceitação e compaixão. Quero que as pessoas vejam, se identifiquem e entendam o quanto uma tragédia pode mudar tudo. A sobrevivente já está lutando para aceitar sua identidade redefinida, e não deveria ter que lutar também para conquistar a aceitação da sociedade”, finalizou.



