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terça-feira, setembro 22, 2026

Nobel de Economia elogia Pix e avalia que tarifas de Trump podem fortalecer Lula

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O economista norte-americano Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008, afirmou que as tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros dificilmente alcançarão os resultados esperados pelo governo de Donald Trump. Em artigo publicado nesta segunda-feira (20), o especialista também destacou o Pix como um exemplo de inovação financeira e avaliou que a medida pode acabar fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No texto, Krugman critica a decisão da gestão norte-americana de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor em 22 de julho. Segundo ele, a justificativa apresentada pelos Estados Unidos — de que o Pix representa uma forma de concorrência desleal para empresas americanas — não se sustenta.

Para o economista, o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central oferece uma solução eficiente para consumidores e empresas, tornando mais simples a realização de transações financeiras. Na avaliação dele, não haveria motivo para punir um país por desenvolver um modelo considerado mais moderno de pagamentos.

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Krugman também relaciona o cenário comercial ao ambiente político brasileiro. Em sua análise, além da discussão econômica, o Brasil estaria sendo alvo de pressões por manter o funcionamento de suas instituições democráticas e por responsabilizar judicialmente o ex-presidente Jair Bolsonaro após os episódios envolvendo a tentativa de ruptura institucional.

Não é a primeira vez que o economista elogia o Pix. Em julho de 2025, ele já havia publicado um artigo defendendo o sistema brasileiro como um possível modelo para o futuro dos meios de pagamento, argumentando que iniciativas semelhantes enfrentam resistência nos Estados Unidos por representarem concorrência aos serviços oferecidos pelo setor financeiro privado.

Ao analisar os impactos do novo pacote tarifário, Krugman avalia que a estratégia norte-americana deve produzir efeitos limitados. Segundo ele, além da dependência dos Estados Unidos de produtos brasileiros, como café, carne bovina e suco de laranja, o Brasil já demonstrou capacidade de redirecionar parte de suas exportações para outros mercados.

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Como exemplo, o economista cita a ampliação da presença brasileira no mercado chinês após as disputas comerciais iniciadas pelos Estados Unidos nos últimos anos. Ele menciona ainda a avaliação da economista Monica de Bolle, do Instituto Peterson de Economia Internacional, segundo a qual a reorganização do comércio global impulsionou o Brasil como um dos principais exportadores do mundo.

Na visão de Krugman, o conjunto dessas circunstâncias reduz a eficácia das tarifas como instrumento de pressão econômica e pode, inclusive, reforçar o apoio político ao governo brasileiro diante do embate comercial com Washington.

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