Órgãos de segurança do Rio de Janeiro acompanham a possível incorporação de técnicas militares utilizadas na guerra da Ucrânia por facções criminosas que atuam no estado. Entre as principais preocupações está o uso de drones adaptados para lançar explosivos, recurso que já foi registrado em comunidades dominadas por grupos armados.
O alerta ganhou força após a circulação de imagens que mostram um drone lançando um artefato explosivo em uma área residencial da comunidade Dois Irmãos, na Zona Oeste da capital fluminense. O ataque deixou uma pessoa ferida por estilhaços e levantou suspeitas sobre a adoção de estratégias semelhantes às empregadas em conflitos internacionais.
Segundo informações obtidas por órgãos de inteligência, integrantes do Comando Vermelho (CV) teriam sido enviados à Ucrânia com o objetivo de adquirir conhecimentos em operações militares e repassar esse aprendizado à facção. A suspeita é de que criminosos sem antecedentes formais tenham conseguido ingressar nas forças ucranianas como voluntários durante o conflito.
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De acordo com as investigações, um desses brasileiros teria recebido treinamento voltado ao uso operacional de drones e, após retornar ao país, participou de encontros com integrantes da organização criminosa no Complexo do Alemão. No local, teriam sido realizados testes com drones agrícolas de grande porte, equipamentos capazes de transportar cargas pesadas, incluindo armamentos e explosivos.
Especialistas, no entanto, alertam que a disseminação dessa tecnologia não está restrita ao conflito na Ucrânia. O analista militar Sandro Teixeira, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), afirma que grupos criminosos e organizações armadas em diferentes regiões do mundo também utilizam drones em ações ofensivas, o que demonstra uma tendência de expansão desse tipo de recurso para atividades ilícitas.
Diante desse cenário, as forças de segurança do Rio intensificaram o monitoramento do uso de aeronaves não tripuladas. A Polícia Civil informou que mantém uma estrutura especializada para identificar drones utilizados por organizações criminosas, enquanto unidades investigativas realizam ações permanentes para rastrear equipamentos empregados em ataques e no tráfico de drogas.
A Polícia Militar também reforçou medidas de enfrentamento, incluindo tecnologias para bloquear sinais de drones e proteger os equipamentos utilizados em operações policiais. Em ações recentes, agentes apreenderam dispositivos destinados à interferência em aeronaves não tripuladas, um deles identificado com o Tryzub, símbolo nacional da Ucrânia.
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As investigações ainda apontam desafios na cooperação internacional. Fontes diplomáticas afirmam que autoridades ucranianas recebem poucas informações do Brasil sobre suspeitos ligados ao crime organizado que viajam para participar do conflito. O Ministério das Relações Exteriores informou apenas que mantém alertas consulares sobre os riscos da participação de brasileiros em guerras no exterior, enquanto a Polícia Federal não se manifestou sobre eventuais ações específicas para impedir o deslocamento de integrantes de facções para zonas de conflito.
O avanço do uso de drones por organizações criminosas é tratado pelas autoridades como uma nova etapa na evolução das estratégias das facções, exigindo adaptações constantes das forças de segurança para enfrentar tecnologias cada vez mais sofisticadas.
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