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sábado, outubro 17, 2026

Cânceres no sangue podem ficar anos sem sintomas e serem descobertos em exames de rotina

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O câncer no sangue nem sempre se manifesta logo nos primeiros estágios. Em alguns tipos da doença, especialmente aqueles de evolução mais lenta, o paciente pode permanecer por meses ou até anos sem apresentar sinais evidentes, o que faz com que o diagnóstico aconteça, muitas vezes, durante exames de rotina.

Segundo especialistas, alterações identificadas em exames laboratoriais permitem investigar a doença antes mesmo do surgimento de sintomas. Essa identificação precoce ajuda os médicos a definir a melhor estratégia, que pode variar entre iniciar o tratamento imediatamente ou apenas acompanhar a evolução do quadro de forma segura.

O hemograma é o principal exame capaz de levantar suspeitas. Mudanças persistentes na quantidade de glóbulos brancos, linfócitos, plaquetas ou a presença de células imaturas podem indicar a necessidade de avaliação por um hematologista.

O hematologista Pedro Neffá, da Oncologia D’Or, explica que algumas formas de leucemia crônica evoluem lentamente e podem permanecer silenciosas por um longo período.

“Não ter sintomas não significa que a doença não exista. Em muitos casos, ela ainda não está causando alterações perceptíveis, mas já pode ser identificada por exames laboratoriais.”

Quando há suspeita, exames complementares, como imunofenotipagem e testes genéticos e moleculares, ajudam a confirmar o diagnóstico e identificar o tipo específico da doença.

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Sinais que merecem atenção

Embora muitas pessoas não apresentem sintomas no início, alguns sinais podem surgir com a progressão da doença, como:

  • Cansaço persistente;
  • Perda de peso sem explicação;
  • Febre prolongada;
  • Suores noturnos;
  • Infecções frequentes;
  • Sangramentos espontâneos;
  • Aparição de hematomas com facilidade;
  • Aumento dos linfonodos;
  • Sensação de aumento do abdômen devido ao crescimento do baço.

A hematologista Regiane Geralda Rosa de Sales, do Hospital Anchieta, destaca que esses sintomas não significam necessariamente um câncer, mas devem ser investigados quando persistem ou aparecem em conjunto.

“Esses sintomas não confirmam um câncer hematológico, mas sua persistência merece avaliação médica para que a causa seja investigada corretamente.”

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Diagnóstico antecipado pode melhorar o prognóstico

O benefício do diagnóstico precoce depende do tipo de câncer hematológico. Nas leucemias agudas, que evoluem rapidamente, iniciar o tratamento antes do aparecimento de complicações graves aumenta significativamente as chances de sucesso terapêutico.

Já nas leucemias crônicas, muitos pacientes podem permanecer apenas em acompanhamento médico por um período, sem necessidade imediata de tratamento.

A hematologista Adriana Seber, do Hospital Samaritano Higienópolis, ressalta que reconhecer a doença antes do surgimento de infecções ou sangramentos graves faz diferença, principalmente nos casos mais agressivos.

“O diagnóstico preciso, realizado antes de infecções graves ou sangramentos e em centros de referência, aumenta significativamente as chances de cura nas leucemias agudas.”

Os especialistas reforçam que não existe recomendação para rastreamento da população em geral. Ainda assim, manter consultas periódicas e realizar exames quando indicados continua sendo a melhor forma de identificar alterações precocemente e garantir que o tratamento, quando necessário, seja iniciado no momento adequado.

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