Um ano depois do início da ofensiva comercial dos Estados Unidos contra produtos brasileiros, o governo federal avalia que há poucas perspectivas de evitar uma nova rodada de tarifas. A expectativa em Brasília é de que Washington confirme uma sobretaxa de 25% sobre parte das exportações nacionais, apesar das negociações diplomáticas realizadas nos últimos meses.
Desde o retorno de Donald Trump à presidência, a política comercial norte-americana passou por sucessivas mudanças, com anúncios, suspensões e reformulações de tarifas aplicadas a diferentes países. No caso brasileiro, porém, integrantes do governo consideram que a disputa extrapola questões econômicas e passou a incorporar elementos políticos.
Ao anunciar as medidas contra o Brasil, Trump relacionou a decisão a críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao andamento das investigações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ampliando o alcance do embate entre os dois países.
++ Flávio Bolsonaro critica operação da PF e chama buscas na casa do pai de “constrangedoras”
Histórico das tarifas
A escalada começou em 9 de julho de 2025, quando os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros. O percentual foi somado aos 10% já aplicados anteriormente, elevando a carga total para 50% em diversos itens exportados pelo Brasil.
Na ocasião, Trump justificou a decisão alegando preocupações com o cenário político brasileiro e criticou o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF). As tarifas passaram a valer em agosto de 2025, embora alguns produtos tenham recebido isenções.
Meses depois, durante um encontro entre Lula e Trump na Malásia, os dois governos iniciaram conversas para revisar as restrições comerciais. Como resultado, os EUA retiraram parte das tarifas sobre determinados produtos brasileiros.
Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte norte-americana suspendeu a cobrança dos 40%, ao entender que a legislação utilizada para justificar a medida não autorizava aquele tipo de sanção. No entanto, no mesmo dia, o governo Trump anunciou uma nova tarifa global de 10% para países afetados pela decisão judicial.
Nova investigação
Paralelamente, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) abriu uma investigação contra o Brasil com base na Seção 301 da legislação comercial americana. O procedimento analisou supostas práticas consideradas desleais e mencionou temas como a comercialização de produtos na região da Rua 25 de Março, em São Paulo, além do funcionamento do sistema Pix.
Concluída neste ano, a investigação recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Desde então, representantes dos dois países mantêm negociações, mas, segundo integrantes do governo brasileiro, as conversas não avançaram o suficiente para alterar o cenário.
O resultado oficial do processo deve ser divulgado em 15 de julho, data que marca um ano da abertura da investigação. Caso a recomendação seja confirmada, novos setores da indústria e do comércio brasileiro poderão ser afetados.
++ Grupo excomungado desafia Vaticano e espera reaproximação sob um futuro papa
Avaliação do governo
Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que a investigação conduzida pelos Estados Unidos possui forte componente político, apesar de estar fundamentada na legislação comercial americana.
O governo brasileiro também argumenta que o superávit comercial dos Estados Unidos na relação bilateral enfraquece a justificativa econômica para a imposição das tarifas. Outro ponto citado por interlocutores é a proximidade entre integrantes da Casa Branca e membros da família Bolsonaro, fator que, na visão do governo, influencia o ambiente das negociações.
Enquanto o prazo final se aproxima, a percepção em Brasília é de que as chances de reverter a nova rodada de tarifas são reduzidas, o que levou o governo a discutir alternativas para minimizar os impactos sobre os setores exportadores brasileiros.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



