Poucas horas depois de confirmar oficialmente um acordo de paz com os Estados Unidos, o Irã já ameaçava colocá-lo em risco. O vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, declarou à TV estatal que o texto do memorando de entendimento foi finalizado e que a assinatura formal ocorrerá nesta sexta-feira (19), na Suíça. “Nossos compromissos entrarão em vigor a partir de sexta-feira”, afirmou, destacando que dois pontos passam a valer imediatamente: o fim das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, e o término do bloqueio naval americano contra o Irã. Gharibabadi ainda emendou que o acordo não resulta apenas de diplomacia, mas também das “conquistas militares” iranianas durante o conflito.
A confirmação de Teerã veio na sequência do anúncio feito horas antes pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e por Donald Trump, que celebrou nas redes sociais a liberação do Estreito de Ormuz “sem pedágio” e o fim do bloqueio naval americano, convocando “os navios do mundo” a “deixarem o petróleo fluir”.
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Mas a celebração durou pouco. No mesmo domingo, Israel atacou o bairro de Dahiyeh, no subúrbio sul de Beirute — área associada ao Hezbollah —, depois que três projéteis foram lançados contra comunidades no norte de Israel. A Defesa Civil do Líbano informou que três pessoas morreram no ataque. Em resposta, o Irã ameaçou romper as negociações de paz. O negociador-chefe iraniano, Mohamad Qalibaf, foi direto: “Se não houver vontade ou capacidade para cumprir os compromissos, é impossível falar em seguir em frente.” Ele chegou a acusar os EUA de adotarem uma estratégia de “policial mau, policial bom” — dando luz verde ao ataque israelense para pressionar a delegação iraniana a aceitar os termos americanos.
O próprio Trump tentou conter o estrago. Em publicação na Truth Social, classificou o ataque a Beirute como algo que “não deveria ter acontecido”, especialmente num dia em que as partes estariam próximas de selar a paz com o Irã. Reconheceu o direito de Israel se defender, mas qualificou o ataque ao qual Israel respondeu como “muito pequeno e insignificante” para justificar a ofensiva.
Apesar da turbulência, o Paquistão — principal mediador das conversas — reiterou que o fim da guerra no Golfo Pérsico deveria ser oficializado dentro de 24 horas, prazo repetido também por Trump, enquanto Teerã previa a assinatura para os “próximos dias”.
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Os termos preliminares revelados à Reuters dão uma ideia do tamanho do que está em jogo: os Estados Unidos liberariam ativos iranianos congelados e suspenderiam sanções sobre as exportações de petróleo do país em troca da reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã, além de um período de 60 dias para negociações específicas sobre o programa nuclear iraniano.
A confirmação do acordo por ambos os lados é, sem dúvida, o avanço diplomático mais concreto desde o início do conflito. Mas o ataque a Beirute — e a reação imediata de Teerã — mostra que o caminho até a assinatura formal de sexta-feira ainda pode ser longo, com o Líbano funcionando como o elo mais frágil de toda a engenharia do entendimento.
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