Quase quatro meses depois de a guerra entre Estados Unidos e Irã eclodir no Oriente Médio, as duas potências anunciaram neste domingo (14) um acordo de paz — e o mercado de petróleo reagiu na hora. O barril do Brent recuou 4,02%, chegando a US$ 83,82, o menor valor desde o início de março.
O entendimento foi confirmado pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, após intensas negociações que também tiveram a mediação do Catar. Pouco depois, Trump celebrou nas redes sociais: “O acordo com a República Islâmica do Irã está concluído. Autorizo integralmente a abertura do Estreito de Ormuz sem pedágio e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir.”
Segundo Sharif, ambos os lados declararam o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano. O premiê paquistanês afirmou ainda que, “com o acordo agora em vigor, os mediadores facilitarão uma série de reuniões esta semana. Essas discussões pré-implementação estabelecerão as bases para as negociações técnicas e a cerimônia oficial de assinatura”, marcada para o dia 19 de junho, na Suíça.
O impacto da reabertura do estreito para a economia global não é trivial. Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passavam por aquela rota entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico. As economias asiáticas foram especialmente afetadas pelo fechamento do corredor, já que dependem fortemente do Oriente Médio para o abastecimento energético.
O acordo, de acordo com informações divulgadas pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, será implementado em duas etapas. A primeira consiste na assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerã. Já a segunda fase prevê a reabertura definitiva de Ormuz com a criação de um mecanismo de cobrança controlado pelo Irã, um novo cessar-fogo de 60 dias para discussões adicionais, o fim da guerra no Líbano com retirada de tropas israelenses, o descongelamento de ativos iranianos no exterior e o fim do bloqueio americano contra portos iranianos.
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Apesar do tom de vitória nas redes sociais, o ponto mais sensível da disputa permanece sem solução definida. Segundo a BBC, o futuro do programa nuclear iraniano — motivo declarado por Trump para o início da guerra — segue sujeito a novas negociações futuras. Autoridades iranianas já haviam indicado que discussões sobre o tema só devem começar após a implementação completa da primeira fase do pacto.
A trajetória até aqui foi marcada por idas e vindas. Em abril, Trump já havia concedido um cessar-fogo temporário de duas semanas em troca da promessa de reabertura do estreito — promessa que não se sustentou e foi seguida por nova escalada militar nas semanas seguintes, até o anúncio deste domingo, que marca a tentativa mais concreta até agora de pôr fim ao conflito.
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