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quarta-feira, setembro 16, 2026

Discriminação contra pessoas LGBT+ custa R$ 94,4 bilhões por ano ao Brasil, aponta estudo

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A exclusão de pessoas LGBT+ do mercado de trabalho brasileiro gera um impacto econômico significativo e mensurável. Um estudo conduzido pelo governo federal em parceria com o Banco Mundial estima que a discriminação enfrentada por esse grupo resulta em perdas anuais de R$ 94,4 bilhões — o equivalente a cerca de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Os dados indicam que o problema vai além de uma questão social e se reflete diretamente na produtividade e no crescimento econômico. Entre os fatores apontados estão dificuldades de acesso a oportunidades, subaproveitamento profissional e a saída precoce do mercado após experiências de discriminação.

A taxa de desemprego entre pessoas LGBT+ chega a 15,2%, praticamente o dobro da média nacional, de 7,7%. Já a parcela fora da força de trabalho — ou seja, que sequer busca emprego — atinge 37,4%, acima dos 33,4% registrados na população geral.

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O impacto também se estende às contas públicas. Segundo o levantamento, a exclusão gera uma perda fiscal estimada em R$ 14,6 bilhões por ano, sendo R$ 10,6 bilhões em arrecadação de impostos não realizada e cerca de R$ 4 bilhões em aumento de gastos com programas sociais e seguro-desemprego.

As desigualdades se intensificam quando analisadas por gênero e raça. Mulheres LGBT+ concentram as maiores perdas econômicas, somando R$ 54,3 bilhões anuais, enquanto homens LGBT+ acumulam R$ 40,1 bilhões. Pessoas negras do grupo enfrentam ainda mais barreiras, com índices mais altos de desemprego, informalidade e baixa renda.

Entre os grupos mais vulneráveis estão pessoas trans, não binárias e intersexo, que relatam níveis mais elevados de discriminação no ambiente profissional. Nesses casos, o desemprego pode chegar a 26,1%, e a exclusão começa ainda na fase escolar: cerca de 70% das mulheres trans e travestis não concluem o ensino médio, muitas vezes devido à violência e à falta de acolhimento.

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O estudo também aponta que a discriminação cotidiana — como comentários negativos ou restrições indiretas, incluindo questionamentos sobre o uso de espaços como banheiros — contribui para afastar essas pessoas do mercado de trabalho.

Para os pesquisadores, os dados evidenciam que a exclusão não apenas limita oportunidades individuais, mas compromete o potencial econômico do país como um todo, ao reduzir a participação produtiva de uma parcela significativa da população.

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