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quarta-feira, setembro 16, 2026

Brasil lê menos para crianças e fica atrás da média global na primeira infância

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Um levantamento internacional acendeu um alerta sobre os hábitos de leitura no Brasil: famílias brasileiras leem para crianças pequenas com uma frequência até quatro vezes menor do que a média global. Os dados fazem parte do International Early Learning and Child Well-being Study, divulgado nesta terça-feira (5).

De acordo com o estudo, apenas 14% das famílias no Brasil leem para crianças de até cinco anos ao menos três vezes por semana. Nos demais países analisados, esse percentual chega a 54%. Além disso, mais da metade das famílias brasileiras (53%) afirmou nunca realizar esse tipo de atividade ou fazê-lo raramente.

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Apesar da baixa frequência de leitura, o desempenho das crianças brasileiras em linguagem e empatia está alinhado à média internacional. O cenário muda, no entanto, quando o foco é a numeracia — habilidade relacionada à compreensão e aplicação de conceitos matemáticos básicos —, em que o país apresenta desempenho inferior.

A pesquisa também evidencia desigualdades marcantes. Crianças de famílias com menor renda, especialmente meninos pretos, pardos e indígenas, apresentam maiores defasagens em diferentes áreas do desenvolvimento. Segundo Marina Chicaro Fragata, os resultados indicam que as dificuldades começam cedo. “Esses achados mostram que os desafios de aprendizagem já se revelam na pré-escola. Além disso, as desigualdades socioeconômicas, de gênero e étnico-raciais aparecem na primeira infância, por isso, precisamos agir desde o começo da vida e olhar para as diferentes dimensões da criança”, afirmou.

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Outros hábitos familiares também diferem da média global. Atividades como brincadeiras ao ar livre e caminhadas são menos frequentes no Brasil, enquanto o uso diário de dispositivos digitais é mais comum.

O estudo envolveu 2.598 crianças em 210 escolas brasileiras, majoritariamente da rede pública, distribuídas nos estados do Ceará, Pará e São Paulo. O país foi o único representante da América Latina na pesquisa, que também incluiu nações como Bélgica, China, Coreia do Sul e Reino Unido.

Os dados reforçam a importância do ambiente familiar no desenvolvimento infantil e apontam para a necessidade de ampliar estímulos desde os primeiros anos de vida, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade social.

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