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quarta-feira, setembro 16, 2026

Estudo acende alerta: poucos minutos com IA já podem afetar autonomia mental

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Um estudo conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos e do Reino Unido colocou em evidência um possível efeito colateral do uso da inteligência artificial: a perda de autonomia cognitiva. De acordo com os resultados, poucos minutos utilizando ferramentas de IA já seriam suficientes para impactar a forma como as pessoas resolvem problemas por conta própria.

Intitulada “A assistência da IA reduz a persistência e prejudica o desempenho independente”, a pesquisa analisou como usuários reagem ao depender de sistemas automatizados para tarefas intelectuais. Embora a tecnologia melhore o desempenho imediato, os cientistas apontam que esse ganho vem acompanhado de um “alto custo cognitivo”.

Queda de desempenho sem a ferramenta

O estudo envolveu diferentes experimentos com centenas de participantes. Em um deles, cerca de 350 pessoas foram desafiadas a resolver problemas matemáticos. Parte do grupo contou com o apoio de um chatbot baseado no OpenAI, enquanto os demais trabalharam sem assistência.

Quando o acesso à IA foi interrompido, os usuários que dependiam da ferramenta apresentaram uma queda significativa no número de acertos. Mais do que isso, muitos simplesmente deixaram de tentar resolver os exercícios.

Esse comportamento se repetiu em testes posteriores, incluindo atividades de interpretação de texto, reforçando o padrão identificado pelos pesquisadores.

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Impacto na motivação e no aprendizado

Segundo Rachit Dubey, professor da Universidade da Califórnia e coautor do estudo, o efeito vai além do erro. A retirada da IA também afeta diretamente a motivação dos participantes, que demonstram menor disposição para persistir diante de desafios.

Os autores comparam esse processo à chamada “síndrome do sapo fervido”, uma metáfora para mudanças graduais que passam despercebidas até se tornarem críticas. No caso da IA, o uso contínuo poderia, aos poucos, reduzir habilidades essenciais para o aprendizado de longo prazo, como esforço, criatividade e resiliência.

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Nem todo uso tem o mesmo impacto

Apesar do alerta, o estudo também aponta nuances importantes. Participantes que utilizaram a IA como apoio — recebendo sugestões ou pistas, em vez de respostas prontas — conseguiram se adaptar melhor quando a ferramenta foi retirada.

O resultado indica que o problema não está necessariamente no uso da tecnologia em si, mas na forma como ela é incorporada às tarefas do dia a dia.

Os pesquisadores destacam que os dados ainda não passaram por revisão por pares, etapa essencial para validação científica. Ainda assim, o estudo contribui para um debate crescente sobre o papel da inteligência artificial no aprendizado e os limites entre apoio tecnológico e dependência.

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