Um homem de 63 anos alcançou remissão do HIV após passar por um transplante de medula óssea com células do próprio irmão. O caso, descrito em estudo publicado na Nature Microbiology, é o sexto registro desse tipo no mundo e reacende o debate sobre possíveis caminhos para a cura da infecção.
O diferencial está na presença de uma mutação genética rara no doador, conhecida como CCR5Δ32. Essa alteração impede que o vírus utilize determinadas células do sistema imunológico como porta de entrada, reduzindo drasticamente sua capacidade de se replicar no organismo.
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Remissão confirmada após anos
O paciente, identificado como “paciente de Oslo”, foi submetido ao transplante para tratar uma síndrome mielodisplásica, um tipo de câncer no sangue. Após o procedimento, os médicos acompanharam sua evolução por anos.
Segundo o estudo, cinco anos depois do transplante e três anos após interromper o tratamento antirretroviral, não foram detectados sinais de replicação do vírus nem reservatórios ativos no sangue ou no intestino.
Procedimento de alto risco
Apesar dos resultados animadores, especialistas destacam que o transplante de medula não é uma solução viável para a maioria das pessoas que vivem com HIV. O procedimento envolve riscos significativos, com taxa de mortalidade que pode chegar a 20% no primeiro ano.
Por isso, esse tipo de intervenção só é considerado em casos em que o paciente já apresenta doenças graves, como cânceres hematológicos, nos quais o transplante é necessário independentemente da infecção pelo vírus.
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Um caminho para novas terapias
A mutação CCR5Δ32 é mais comum em populações do norte da Europa, o que explica por que a maioria dos casos semelhantes foi registrada nessa região. No caso do paciente norueguês, a descoberta de que o irmão compatível possuía essa característica foi decisiva para o resultado.
Embora não represente uma cura universal, o caso reforça a importância da pesquisa genética no desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas. Cientistas buscam agora formas de replicar esse efeito de maneira mais segura e acessível, sem a necessidade de procedimentos de alto risco.
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