Duas cidades no sul do Japão iniciaram um projeto inovador para enfrentar um dos resíduos mais difíceis de tratar: fraldas descartáveis usadas. A iniciativa busca transformar esse material em novos produtos — e até em novas fraldas — por meio de processos avançados de reciclagem.
O programa conta com apoio da Unicharm e está sendo testado nos municípios de Shibushi e Osaki, que juntos somam cerca de 40 mil habitantes. A região já possui histórico de políticas ambientais rigorosas, com índices de reciclagem muito acima da média nacional.
O desafio é significativo. Fraldas descartáveis estão entre os resíduos mais comuns em aterros sanitários e podem levar mais de 500 anos para se decompor devido à presença de polímeros plásticos.
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Para lidar com isso, o novo sistema coleta as fraldas usadas e passa por um processo de limpeza, trituração e separação em três componentes principais: plástico, polpa e material superabsorvente (conhecido como SAP). Cada parte pode ser reaproveitada em diferentes cadeias produtivas.
O diferencial está no uso de ozônio no tratamento da polpa, que permite eliminar odores, esterilizar e clarear o material. Isso amplia as possibilidades de reutilização, inclusive na fabricação de novos produtos de higiene.
A empresa responsável também desenvolve tecnologia para reutilizar o SAP e o plástico na produção de novas fraldas — um avanço que pode fechar o ciclo do produto. A expectativa é que essas versões recicladas cheguem ao mercado até 2028.
Atualmente, os produtos gerados pelo processo ainda são vendidos em caráter experimental e custam cerca de 10% a mais que os convencionais. Mesmo assim, a meta é expandir o modelo para cerca de 20 municípios ao longo da próxima década.
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O tema ganha ainda mais relevância no Japão, que possui uma das populações mais envelhecidas do mundo. Com o aumento do uso de fraldas por idosos — e até por animais de estimação —, cresce também a pressão por soluções sustentáveis.
A iniciativa japonesa se insere em um debate global sobre o impacto ambiental dos descartáveis, que envolve tanto o incentivo a alternativas reutilizáveis quanto o desenvolvimento de tecnologias capazes de reaproveitar materiais já em circulação.
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