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quarta-feira, setembro 16, 2026

Beija-flores ingerem álcool naturalmente ao se alimentar, revela pesquisa

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Um comportamento pouco conhecido dos beija-flores acaba de ganhar destaque na ciência: ao se alimentarem de néctar durante a polinização, essas aves também ingerem pequenas quantidades de álcool. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade da Califórnia, Berkeley e publicada na revista Royal Society Open Science.

A análise de amostras de néctar revelou a presença de etanol em diferentes níveis. Na maioria dos casos, os traços eram mínimos, mas uma das amostras apresentou concentração de 0,056% em peso — um valor considerado baixo, mas relevante diante do volume consumido diariamente pelas aves.

Os beija-flores ingerem entre 50% e 150% do próprio peso corporal em néctar todos os dias. Em espécies como o Calypte anna, esse consumo pode representar uma ingestão de álcool comparável, proporcionalmente, à de um ser humano que consome uma dose de bebida alcoólica.

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Apesar disso, os pesquisadores afirmam que não há sinais de embriaguez nesses animais. Isso acontece porque o consumo ocorre de forma contínua e em pequenas quantidades, enquanto o metabolismo extremamente acelerado dessas aves impede o acúmulo de álcool no organismo.

“Os beija-flores são como pequenas fornalhas. Eles queimam tudo muito rápido, então não se espera que nada se acumule em sua corrente sanguínea”, explicou o pesquisador Aleksey Maro.

Outro fator importante é o comportamento seletivo: estudos anteriores indicam que essas aves evitam néctares com concentrações mais elevadas de álcool, especialmente acima de 1%, o que sugere uma adaptação natural para evitar efeitos negativos.

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A pesquisa integra um projeto mais amplo que busca entender como aves e outros animais se adaptam a diferentes fontes de alimento. Segundo os cientistas, o consumo frequente de etanol na natureza pode indicar a existência de mecanismos fisiológicos ainda pouco conhecidos, capazes de lidar com essa substância sem prejuízos.

O achado amplia a compreensão sobre a dieta dos polinizadores e levanta novas questões sobre o papel do álcool na natureza — não apenas como subproduto da fermentação, mas como parte recorrente da alimentação de diversas espécies.

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