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quarta-feira, setembro 16, 2026

Busca por vida extraterrestre pode estar ignorando sinais que já chegaram à Terra

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Cientistas podem estar procurando sinais de vida inteligente no espaço da maneira errada. Um novo estudo sugere que transmissões extraterrestres podem até existir — mas chegam à Terra tão alteradas que acabam passando despercebidas pelos sistemas atuais de detecção .

Há décadas, o Instituto SETI monitora o céu em busca de sinais de rádio altamente precisos, conhecidos como banda ultraestreita. A ideia é que uma civilização avançada utilizaria esse tipo de emissão para se comunicar. No entanto, o silêncio persistente pode não significar ausência de vida, mas sim uma limitação na forma como os dados são analisados.

Segundo a pesquisa, publicada no The Astrophysical Journal, o principal obstáculo pode estar no chamado “clima espacial”. Fenômenos intensos ao redor das estrelas — como ventos solares e ejeções de plasma — têm capacidade de distorcer ondas de rádio antes mesmo que elas deixem o sistema de origem.

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Esse processo faz com que sinais originalmente concentrados em uma única frequência se espalhem por várias, tornando-se mais fracos e difíceis de identificar. Em termos práticos, isso significa que transmissões potencialmente artificiais podem não corresponder ao padrão que os algoritmos procuram atualmente .

Para entender melhor o fenômeno, pesquisadores analisaram sinais enviados por sondas espaciais humanas, como Mariner 4, Pioneer 6 e Helios. Os dados mostram que essas transmissões também sofreram distorções ao atravessar o ambiente turbulento do Sol, especialmente durante tempestades solares .

As simulações indicam que esse efeito pode ser comum no universo. Em cerca de 70% dos sistemas estelares, os sinais sofreriam algum nível de alteração. Em outros casos, a distorção pode ser ainda mais intensa, principalmente em frequências mais baixas.

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O desafio é ainda maior em estrelas do tipo anã vermelha — que representam a maioria na Via Láctea — e possuem atividade energética mais intensa. Nesses ambientes, a deformação dos sinais pode ser suficiente para torná-los praticamente invisíveis aos métodos tradicionais de busca.

Diante disso, os cientistas defendem uma revisão nas estratégias adotadas. Entre as propostas estão ampliar os critérios de identificação e priorizar frequências mais altas, menos suscetíveis a esse tipo de interferência.

A hipótese não resolve o chamado paradoxo de Fermi — a contradição entre a alta probabilidade de vida no universo e a ausência de evidências —, mas oferece uma nova explicação possível. Em vez de estarmos sozinhos, pode ser que simplesmente ainda não saibamos reconhecer os sinais que já chegaram até nós.

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