O acidente com o Césio-137, registrado em Goiânia em 1987, não deixou apenas vítimas — também resultou em uma gigantesca operação para remover tudo o que pudesse representar risco de contaminação. Ao final, cerca de 6 mil toneladas de materiais radioativos foram recolhidas e isoladas.
Logo após a identificação da radiação, equipes especializadas iniciaram uma força-tarefa para mapear os focos contaminados. Mais de 112 mil pessoas passaram por monitoramento, enquanto áreas inteiras da cidade foram interditadas. Em alguns casos, o nível de contaminação era tão alto que a única solução foi a demolição completa de imóveis.
Objetos do dia a dia viraram rejeito nuclear
A lista de itens descartados revela a dimensão da tragédia. Não se tratava apenas de equipamentos técnicos, mas de elementos comuns da rotina das famílias afetadas.
Entre os materiais eliminados estavam móveis, roupas, utensílios domésticos, eletrodomésticos e até documentos pessoais. Fotografias, brinquedos e objetos de valor afetivo também foram destruídos, já que a radiação havia penetrado profundamente nesses materiais, tornando impossível qualquer recuperação.
Além disso, partes estruturais de casas — como portas, janelas, telhados e pisos — foram removidas, assim como toneladas de solo contaminado. Animais domésticos e de criação que tiveram contato com a substância também precisaram ser descartados para evitar a propagação da radiação.
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Locais foram eliminados do mapa
Os pontos mais críticos da contaminação passaram por intervenções radicais. O ferro-velho onde a cápsula foi aberta e a casa onde o material foi manipulado foram completamente destruídos. O solo dessas áreas foi escavado e coberto com camadas de concreto para impedir qualquer resquício de radiação.
Até hoje, esses terrenos permanecem com restrições de uso, evidenciando o impacto duradouro do acidente.
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Destino final dos resíduos
Após a remoção, surgiu um novo desafio: onde armazenar com segurança todo o material contaminado. Inicialmente, cogitou-se transferir os rejeitos para outra região do país, mas a ideia foi rejeitada.
A solução encontrada foi manter os resíduos em Goiás, em um repositório construído no município de Abadia de Goiás, na região metropolitana de Goiânia. O local foi projetado com múltiplas barreiras de proteção e sistemas de isolamento ambiental.
A estrutura foi planejada para conter a radioatividade por cerca de 300 anos — tempo necessário para que os níveis do Césio-137 diminuam a patamares considerados seguros.
Mais do que números, o volume de lixo radioativo simboliza a extensão de uma tragédia que apagou histórias, destruiu memórias e deixou marcas permanentes na vida de centenas de famílias brasileiras.
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