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quarta-feira, setembro 16, 2026

Formigas reconhecem quem é do “grupo” e quem é invasor, revela estudo

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As formigas não dependem apenas de comportamentos instintivos para proteger suas colônias. Um estudo recente revelou que esses insetos conseguem distinguir aliadas de intrusas por meio de sinais químicos — e, mais do que isso, são capazes de atualizar esse reconhecimento conforme convivem com outros indivíduos.

A pesquisa, publicada na revista Current Biology, indica que o sistema de identificação das formigas é mais dinâmico do que se imaginava. Liderado por cientistas da Universidade Rockefeller, o trabalho aponta que até mesmo espécies invasoras podem aprender a reconhecer umas às outras após exposições repetidas.

Segundo o pesquisador Daniel Kronauer, o estudo abre caminho para compreender como funciona esse processo. “Este é um primeiro passo para entender como as formigas fazem essa distinção e orientar investigações sobre seus mecanismos neurobiológicos”, afirmou.

Identidade química em constante mudança

O reconhecimento entre formigas acontece por meio de substâncias cerosas presentes na superfície do corpo. Esses compostos formam uma espécie de “assinatura olfativa” que identifica cada colônia. Embora diferentes grupos utilizem substâncias semelhantes, variações na composição criam padrões únicos para cada população.

Essas assinaturas, no entanto, não são fixas. Fatores como alterações genéticas, mudanças ambientais e até a presença de colônias vizinhas podem modificar o odor coletivo ao longo do tempo. “Talvez a composição genética da colônia mude; talvez influências ambientais alterem o odor da colônia”, explicou Kronauer.

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Experimentos com formigas clonais

Para investigar o fenômeno, os cientistas utilizaram a espécie Ooceraea biroi, conhecida por se reproduzir de forma assexuada. Isso permitiu criar indivíduos geneticamente idênticos, mas pertencentes a linhagens diferentes.

Ao misturar essas formigas em colônias experimentais, os pesquisadores observaram como o sistema de reconhecimento se ajustava. Mesmo compartilhando compostos químicos semelhantes, os indivíduos apresentavam odores distintos — suficientes para desencadear comportamentos agressivos quando considerados “estranhos”.

Quando formigas jovens, ainda sem o odor completamente desenvolvido, foram inseridas em novos grupos, o resultado foi diferente. Com o tempo, esses indivíduos passaram a adquirir o perfil químico da colônia adotiva e deixaram de ser tratados como invasores.

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Limites do aprendizado

Apesar da capacidade de adaptação, o estudo mostra que existe um limite para essa flexibilidade. Mesmo após mudanças no odor, as formigas mantêm uma espécie de “memória” de origem. Com o passar do tempo, seu perfil químico tende a retornar às características iniciais — o que pode fazê-las voltar a ser rejeitadas pelo grupo em que estavam inseridas.

A descoberta reforça a complexidade das interações sociais entre formigas e sugere que, mesmo em organismos considerados simples, há mecanismos sofisticados de reconhecimento e adaptação.

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