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quarta-feira, setembro 16, 2026

Cocaína e remédios aparecem no sangue de tubarões e acendem alerta ambiental no Caribe

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Um levantamento científico recente trouxe à tona um cenário inesperado nas águas cristalinas das Bahamas. Tubarões que vivem na região do Caribe apresentaram, em exames laboratoriais, traços de substâncias como cocaína, cafeína e medicamentos analgésicos — um indicativo claro da crescente presença de poluentes químicos no ambiente marinho.

O estudo, publicado na revista Environmental Pollution, analisou amostras de sangue de 85 tubarões capturados a cerca de seis quilômetros da Ilha de Eleuthera. Em 28 deles, os pesquisadores identificaram compostos classificados como contaminantes emergentes, entre eles paracetamol e diclofenaco, além de estimulantes como a cafeína.

Entre as espécies avaliadas estão o tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum) e o tubarão-de-recife-do-caribe (Carcharhinus perezi), ambos com registros de múltiplas substâncias no organismo. Já um filhote de tubarão-limão (Negaprion brevirostris) também apresentou vestígios de cocaína, ainda que em níveis inferiores aos observados em análises anteriores realizadas no litoral brasileiro.

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Os cientistas destacam que a presença dessas substâncias no sangue — e não apenas nos tecidos — aponta para uma exposição recente. Diferentemente dos músculos, que acumulam compostos ao longo do tempo, o sangue reflete contato mais imediato com contaminantes, sugerindo que a poluição está ativa nas águas da região.

“Este é o primeiro relato sobre CECs e possíveis respostas fisiológicas associadas em tubarões das Bahamas, apontando para a necessidade urgente de abordar a poluição marinha em ecossistemas frequentemente considerados intocados”, afirmam os autores do estudo.

A origem dessa contaminação ainda é objeto de investigação, mas os pesquisadores relacionam o fenômeno ao crescimento urbano, à intensificação do turismo e ao descarte inadequado de resíduos. Correntes marítimas também podem transportar poluentes de outras áreas, ampliando o alcance do problema.

Segundo a coautora Natascha Wosnick, uma hipótese relevante envolve a ação humana direta, como o descarte de resíduos por embarcações ou mergulhadores. Esse material, ao se dispersar na água, acaba sendo ingerido ou absorvido por animais marinhos.

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Embora os efeitos dessas substâncias no organismo dos tubarões ainda não sejam totalmente compreendidos, há preocupação com possíveis alterações metabólicas e comportamentais. A combinação de diferentes compostos no mesmo indivíduo também levanta questionamentos sobre impactos cumulativos.

Tradicionalmente vistas como refúgios de biodiversidade, as águas das Bahamas passam agora a revelar sinais de uma poluição silenciosa. Para os pesquisadores, o fenômeno pode estar subestimado — e tende a ganhar mais visibilidade à medida que novas investigações avancem em outras regiões oceânicas.

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