Pesquisadores identificaram que algas marinhas podem ter potencial para prevenir infecções causadas pelo norovírus, principal responsável por quadros de gastroenterite aguda. A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos naturais contra a doença, que atualmente não possui vacina ou antiviral específico.
A gastroenterite causada pelo norovírus provoca sintomas como náuseas, vômitos, diarreia aquosa, febre e dores abdominais. Estima-se que o vírus seja responsável por mais de 685 milhões de infecções por ano em todo o mundo.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Griffith, em parceria com a empresa de biotecnologia Marinova, ambas da Austrália. Os resultados foram publicados na revista científica Microbiology Spectrum.
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Como as algas atuam contra o vírus
A pesquisa analisou compostos presentes em algas verdes e marrons, especialmente duas substâncias chamadas fucoidan (extraída de algas marrons) e ulvan (presente em algas verdes).
Os cientistas investigaram se esses compostos poderiam impedir o processo inicial de infecção do norovírus. Para contaminar o organismo, o vírus precisa se ligar a moléculas presentes no intestino humano conhecidas como antígenos de grupos sanguíneos histológicos (HBGAs).
Nos testes realizados em laboratório, os pesquisadores observaram que o fucoidan apresentou o efeito mais forte, bloqueando a ligação do vírus às moléculas intestinais.
Segundo o pesquisador Grant Hansman, autor principal do estudo, o composto funciona como uma espécie de barreira protetora, ocupando o local onde o vírus normalmente se fixa para iniciar a infecção.
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Potencial para novos tratamentos
Os resultados sugerem que o fucoidan pode se tornar um tratamento natural promissor para prevenir a infecção por norovírus.
Além disso, o composto já é utilizado em alguns suplementos alimentares e demonstrou boa tolerância em estudos com humanos, o que pode facilitar futuras aplicações médicas.
Agora, os cientistas pretendem investigar formas de produzir o composto em maior escala e potencializar seus efeitos protetores, com o objetivo de desenvolver estratégias eficazes para reduzir surtos de gastroenterite no futuro.
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