Um padrão curioso em uma família dos Estados Unidos chamou a atenção de cientistas: ao longo de mais de dois séculos, os registros genealógicos mostram uma proporção incomum de nascimentos masculinos. Em algumas gerações, o número de meninos chegou a ser quase o dobro do de meninas, algo bastante acima do esperado pela biologia humana.
Intrigados com o fenômeno, pesquisadores da Universidade de Utah analisaram extensos bancos de dados genealógicos para compreender o que poderia estar por trás desse padrão. Normalmente, o nascimento de meninos e meninas ocorre em proporções próximas de 50% para cada sexo. No caso dessa linhagem familiar, porém, alguns ramos apresentavam uma relação próxima de dois homens para cada mulher.
A hipótese do “gene egoísta”
Para explicar o fenômeno, os cientistas investigam a presença de um chamado “gene egoísta”, um tipo de elemento genético capaz de alterar as probabilidades normais de herança. Diferentemente das regras clássicas descritas pela Gregor Mendel, em que cada variante genética tem cerca de 50% de chance de ser transmitida aos descendentes, esses genes podem manipular o processo para aumentar suas próprias chances de transmissão.
Esse mecanismo é conhecido como “distorção de segregação”, um fenômeno em que determinadas variantes genéticas “trapaceiam” o sistema reprodutivo para favorecer sua propagação nas gerações seguintes.
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Possível ligação com o cromossomo Y
No caso específico da família estudada, os pesquisadores acreditam que o efeito pode estar relacionado ao cromossomo Y, responsável pela determinação do sexo masculino. A hipótese é que alguma variação genética esteja favorecendo espermatozoides portadores desse cromossomo.
Se isso for confirmado, os gametas que carregam o cromossomo Y teriam maior probabilidade de fecundar o óvulo em comparação aos que possuem o cromossomo X, o que resultaria em mais nascimentos de meninos ao longo das gerações.
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Fenômeno raro em humanos
Genes capazes de distorcer a herança já foram observados em diversas espécies de animais e plantas, onde podem alterar significativamente a proporção entre machos e fêmeas. Em alguns casos extremos, esse tipo de mecanismo chega até a eliminar quase completamente um dos sexos em certas populações.
Em humanos, porém, identificar esse fenômeno é muito mais difícil. Como as famílias costumam ter poucos filhos, padrões estatísticos desse tipo são raros e difíceis de detectar.
Os pesquisadores ressaltam que a investigação ainda está em estágio inicial. Embora os registros genealógicos indiquem um forte desequilíbrio no número de nascimentos masculinos, ainda será necessário identificar exatamente qual mutação genética poderia estar por trás desse comportamento incomum.
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