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quarta-feira, setembro 16, 2026

Criança deve ter celular próprio antes dos 12 anos Especialistas recomendam cautela

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O celular já faz parte da rotina doméstica e, cada vez mais cedo, chega às mãos das crianças. Vídeos, jogos e aplicativos de mensagens transformaram o aparelho em ferramenta comum de entretenimento — e, em muitos casos, em distração frequente. Diante desse cenário, pais se perguntam: existe uma idade ideal para que o filho tenha o próprio telefone?

A resposta dos especialistas não é numérica. Não há consenso sobre um marco rígido, mas há uma orientação clara: quanto mais tarde, melhor para o desenvolvimento infantil.

Desenvolvimento em jogo

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, os primeiros anos de vida são decisivos para a construção da linguagem, da atenção e das habilidades socioemocionais — processos que dependem, sobretudo, de interação presencial.

A pediatra e neonatologista Renata Castro explica que a comunicação verbal se fortalece por meio da troca de olhares, da escuta ativa e do diálogo direto. Quando o celular passa a ocupar grande parte do tempo, essas experiências tendem a diminuir.

Conteúdos rápidos e altamente estimulantes também podem afetar a capacidade de concentração. O cérebro infantil, ainda em formação, pode ter dificuldade em manter a chamada atenção sustentada — essencial para tarefas escolares e atividades mais longas.

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Impactos observados

Entre os principais efeitos associados ao uso precoce e excessivo do celular estão:

  • Alterações no sono, já que a luz da tela interfere na produção de melatonina
  • Atrasos na fala e redução do vocabulário
  • Maior impulsividade e dificuldade de foco
  • Sedentarismo e aumento do risco de sobrepeso
  • Ansiedade relacionada à validação em redes sociais

Além disso, o contato constante com estímulos digitais pode reduzir o interesse por brincadeiras físicas e interações sociais presenciais.

Idade ou maturidade

Especialistas indicam que, antes dos 9 ou 10 anos, dificilmente há necessidade de um celular próprio. Em geral, o aparelho passa a ser considerado mais adequado a partir da pré-adolescência, entre 12 e 14 anos, quando há maior capacidade de compreender regras, limites e riscos do ambiente online.

Ainda assim, a idade não é o único critério. Avaliar maturidade emocional, capacidade de respeitar combinados e abertura para diálogo é fundamental.

A psicóloga Vanessa Ramos Lacombe destaca que a criança precisa reconhecer perigos, tolerar frustrações e sentir-se segura para compartilhar experiências digitais com os pais.

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Regras claras e exemplo em casa

Quando o uso começa, deve ser gradual e supervisionado. Definir horários, evitar o aparelho antes de dormir e durante refeições e acompanhar os conteúdos acessados são medidas consideradas básicas.

Pediatras reforçam que o exemplo dos adultos tem peso decisivo. Se os pais mantêm uso equilibrado e priorizam momentos offline, a tendência é que os filhos reproduzam esse comportamento.

No fim das contas, o celular pode integrar a rotina familiar — mas não deve substituir brincadeiras ao ar livre, conversas em casa e experiências fundamentais para o crescimento saudável.

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