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quinta-feira, outubro 15, 2026

Embriaguez na selva Chimpanzés ingerem álcool natural e surpreendem cientistas

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Chimpanzés que vivem no Parque Nacional de Kibale, em Uganda, estão consumindo álcool de forma recorrente — não por intervenção humana, mas por meio da própria dieta. A constatação veio após pesquisadores da Universidade da Califórnia identificarem, em amostras de urina, marcadores biológicos associados à ingestão de etanol.

O estudo, divulgado na revista científica Biology Letters, detectou a presença de etil glicuronídeo — composto formado quando o organismo metaboliza álcool — em 17 das 20 amostras analisadas. O resultado indica que a maioria dos animais avaliados havia ingerido frutas fermentadas nas horas anteriores à coleta.

A principal fonte do etanol é a maçã-estrela africana, fruto da árvore Gambeya albida. A fermentação ocorre naturalmente ainda nos galhos, elevando o teor alcoólico da polpa. Embora a concentração seja baixa por unidade, alguns indivíduos chegam a consumir até 4,5 quilos por dia, volume suficiente para gerar níveis comparáveis a duas doses padrão de bebida alcoólica humana ao longo de 24 horas.

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A investigação foi conduzida em agosto de 2025, sob liderança do pesquisador Aleksey Maro, que acompanhou 19 chimpanzés da espécie Pan troglodytes. Como o uso de equipamentos tradicionais de medição é inviável em ambiente selvagem, a equipe adotou um método indireto: a coleta de urina foi feita com bolsas plásticas acopladas a hastes, tanto diretamente quanto em poças no solo. Posteriormente, as amostras passaram por análise com tiras reagentes semelhantes às utilizadas em exames toxicológicos ocupacionais.

Os resultados apontaram que 85% dos chimpanzés avaliados apresentavam concentrações superiores a 300 nanogramas por mililitro do metabólito relacionado ao álcool — índice que, em humanos, ultrapassa parâmetros adotados em contextos médicos e legais.

Machos adultos demonstraram maior incidência de resultados positivos em comparação a fêmeas e jovens, o que pode indicar diferenças comportamentais ou alimentares dentro dos grupos.

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A descoberta fortalece a chamada “hipótese do macaco bêbado”, que sugere que a atração por frutas fermentadas é um traço evolutivo compartilhado entre grandes primatas e seres humanos. A teoria propõe que a capacidade de metabolizar etanol teria surgido como vantagem adaptativa, associada à busca por alimentos energéticos.

Agora, os cientistas pretendem investigar se o consumo influencia aspectos como agressividade, hierarquia social ou ciclos reprodutivos. Também permanece em aberto se os animais selecionam intencionalmente frutos com maior teor alcoólico.

Além de ampliar o entendimento sobre o comportamento dos chimpanzés, o estudo contribui para o debate sobre as origens biológicas da relação humana com bebidas fermentadas — um hábito que pode ter raízes muito mais antigas do que se imaginava

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