Uma infecção pulmonar que desafiou médicos por mais de um ano levou à identificação de um parasita nunca antes registrado em humanos. O caso, descrito em publicação científica internacional, revelou que a paciente estava infectada por uma larva do nematóide Ophidascaris robertsi, espécie conhecida por parasitar pítons na Austrália.
Sintomas persistentes e diagnóstico inconclusivo
A paciente foi hospitalizada inicialmente com dor abdominal, diarreia, tosse seca e sudorese noturna. Exames de imagem mostraram áreas inflamadas nos pulmões, além de lesões no fígado e no baço. A análise do líquido pulmonar revelou alta concentração de eosinófilos — células associadas à resposta contra parasitas — levando ao diagnóstico de pneumonia eosinofílica.
Apesar do tratamento com corticosteroides, os sintomas respiratórios persistiram. Testes laboratoriais descartaram infecções bacterianas e fúngicas, e exames de sangue não indicaram anticorpos contra parasitas mais comuns. Mesmo após uso de ivermectina, a origem do problema continuava indefinida.
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Descoberta no cérebro
Cerca de um ano depois, a paciente passou a apresentar sintomas neurológicos, incluindo alterações de humor e lapsos de memória. Uma ressonância magnética detectou uma lesão no lobo frontal direito. Durante uma biópsia, médicos encontraram uma estrutura alongada e avermelhada, com aproximadamente 8 centímetros de comprimento — tratava-se de um verme vivo.
A análise confirmou que era uma larva em estágio avançado de O. robertsi. Até então, não havia registro de infecção humana por esse parasita, tampouco de sua presença no cérebro.
Possível forma de contágio
O ciclo natural do parasita envolve serpentes, especialmente pítons-de-tapete, comuns em determinadas regiões australianas. Os pesquisadores acreditam que a infecção possa ter ocorrido por ingestão acidental de ovos presentes em vegetais contaminados por fezes de serpentes. Após a eclosão, as larvas teriam migrado pelo organismo, atingindo pulmões e cérebro.
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Tratamento e recuperação
Após a remoção cirúrgica do verme, a paciente recebeu tratamento com ivermectina e albendazol — medicamento com maior capacidade de atingir o sistema nervoso central — além de corticosteroides para prevenir inflamações adicionais.
Nos meses seguintes, as lesões regrediram, os exames sanguíneos voltaram ao normal e os sintomas neurológicos apresentaram melhora significativa.
O caso amplia o entendimento sobre infecções parasitárias raras e reforça a importância da investigação prolongada quando sintomas persistem sem causa definida.
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