Astronautas da missão Shenzhou-20 revelaram detalhes do momento em que identificaram uma rachadura na janela da cápsula enquanto estavam em órbita. O episódio, ocorrido durante a permanência na estação espacial Tiangong, foi classificado como a primeira emergência registrada em voo espacial pela China.
Segundo relato divulgado pela emissora estatal CCTV e repercutido pela imprensa internacional, o comandante Chen Dong percebeu uma marca triangular na janela da cápsula de retorno durante uma inspeção de rotina. Inicialmente, pensou tratar-se de um objeto preso ao vidro. “Como poderia haver uma folha caída lá?”, questionou, ao descartar a hipótese.
A análise posterior indicou que se tratava de uma fissura, possivelmente provocada por detritos espaciais. A tripulação passou então a trabalhar em conjunto com a equipe de apoio da missão Shenzhou-21 e com o centro de controle em terra para avaliar a extensão do dano e os riscos envolvidos.
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Avaliação e coordenação
O astronauta Chen Zhongrui relatou que houve discussão interna para definir a melhor conduta diante da situação. Ao mesmo tempo, as equipes em solo mantiveram comunicação constante, o que ajudou a reduzir a tensão. A abordagem foi descrita como cautelosa e metódica, com monitoramento contínuo da integridade da nave.
Apesar do potencial perigo, o problema não comprometeu imediatamente a segurança da tripulação. Ainda assim, a ocorrência levou ao adiamento do retorno à Terra.
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Retorno após 204 dias
Os três taikonautas — Chen Dong, Chen Zhongrui e Wang Jilie — chegaram à estação Tiangong em abril de 2025. O retorno estava inicialmente previsto para 5 de novembro, mas foi postergado devido à necessidade de inspeções adicionais.
A volta ocorreu nove dias depois do planejado, a bordo da cápsula Shenzhou-21, que havia levado uma nova tripulação para a estação. Em 14 de novembro, o módulo pousou com segurança na Região Autônoma da Mongólia Interior, no norte da China.
A missão totalizou 204 dias em órbita, estabelecendo um novo recorde de permanência para a tripulação chinesa. O incidente reforçou os desafios da operação espacial em um ambiente onde até pequenos fragmentos de lixo orbital podem representar ameaça significativa.
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