A diabetes não é uma condição exclusiva dos humanos. Em cães, a doença metabólica também pode se desenvolver de forma progressiva e, muitas vezes, silenciosa. O problema surge quando o organismo deixa de produzir insulina suficiente ou não consegue utilizá-la corretamente, provocando o aumento da glicose no sangue.
Diferentemente do que ocorre com frequência em pessoas, nos pets o tipo mais comum é o semelhante à diabetes tipo 1 — quadro em que o pâncreas não produz insulina em quantidade adequada. Sem tratamento, a enfermidade pode evoluir para complicações graves, incluindo vômitos persistentes, fraqueza intensa, catarata e até risco de morte.
“A complicação mais grave é a evolução do quadro para cetose diabética, que pode cursar com vômitos, desidratação e necessidade de atendimento de urgência”, afirma o professor de medicina veterinária Fernando Resende.
Sintomas que exigem atenção
Os primeiros indícios costumam ser sutis. Mudanças no comportamento podem ser atribuídas ao envelhecimento, atrasando o diagnóstico. Entre os principais sinais observados por veterinários estão:
- Aumento da sede e maior volume urinário
- Perda de peso, mesmo com apetite preservado ou aumentado
- Cansaço e indisposição
- Problemas oculares, especialmente catarata
- Hálito com odor adocicado ou semelhante a acetona
Segundo a veterinária Kássia Vieira, a doença aparece com mais frequência a partir dos 7 anos de idade, fase em que muitos cães entram na maturidade.
Fatores de risco e predisposição
A diabetes canina costuma resultar da combinação entre predisposição genética e fatores ambientais. Obesidade, sedentarismo e doenças que interferem na ação da insulina — como hipotireoidismo e pancreatite — elevam o risco.
O uso prolongado de corticoides também pode contribuir para o aumento da glicose no sangue. Além disso, fêmeas não castradas apresentam maior probabilidade de desenvolver o problema em determinadas fases hormonais.
Algumas raças demonstram maior predisposição genética, como Poodle, Schnauzer, Dachshund e Yorkshire Terrier.
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Diagnóstico e tratamento contínuo
A confirmação da doença ocorre por meio de exames de sangue e urina. A presença de glicose urinária associada à elevação da glicose sanguínea reforça o diagnóstico. Exames complementares podem ser solicitados para investigar possíveis complicações associadas.
O tratamento exige aplicação regular de insulina — geralmente uma ou duas vezes ao dia — e monitoramento constante dos níveis de glicose. A terapia é permanente e requer disciplina do tutor.
Sem acompanhamento adequado, o quadro pode evoluir para descompensação metabólica severa, infecções recorrentes, cegueira e comprometimento geral da saúde do animal.
Manter alimentação equilibrada, rotina ativa e consultas veterinárias periódicas — ao menos uma vez por ano, especialmente após os 7 anos — são medidas fundamentais para prevenção e detecção precoce.
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