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quarta-feira, setembro 16, 2026

Tecnologia e inteligência artificial ampliam combate ao tráfico de animais silvestres

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O tráfico de animais silvestres movimenta entre US$ 7 bilhões e US$ 23 bilhões por ano e figura entre as indústrias ilegais mais lucrativas do planeta. Para enfrentar redes criminosas cada vez mais sofisticadas, autoridades internacionais têm recorrido a inteligência artificial, análise de dados e tecnologias portáteis de identificação.

No fim de 2025, a Interpol coordenou uma operação global em 134 países que resultou na apreensão de cerca de 30 mil animais vivos, além de produtos vegetais e madeireiros ilegais. Aproximadamente 1.100 suspeitos foram identificados para investigação.

No Brasil, as autoridades resgataram mais de 200 animais e desarticularam uma quadrilha internacional envolvida no tráfico de mico-leão-dourado, espécie ameaçada.

Do porto à internet: onde a tecnologia entra

Historicamente, a fiscalização é majoritariamente reativa — menos de 10% das cargas internacionais são fisicamente inspecionadas. Para aumentar a eficiência, novas ferramentas vêm sendo incorporadas à rotina de inspeção.

Triagem de cargas com IA
Scanners avançados de raio-X, combinados a softwares inteligentes, identificam formas e materiais incomuns dentro de remessas. Testes realizados na Austrália mostraram que o sistema consegue detectar animais escondidos em pacotes. A IA não identifica a espécie, mas aponta anomalias para inspeção manual.

Identificação assistida por inteligência artificial
Sistemas desenvolvidos com apoio da Academia Chinesa de Ciências ajudam inspetores a reconhecer espécies com base em descrições fornecidas via interface semelhante a chatbot. Isso é essencial para distinguir espécies parecidas, mas com níveis diferentes de proteção legal — como o papagaio-cinzento-africano e o papagaio Timneh.

Testes de DNA portáteis
Novos kits compactos conseguem identificar até cinco espécies em cerca de 20 a 30 minutos. O funcionamento é simples: uma tira muda de cor ao detectar o DNA da espécie-alvo, em modelo semelhante a testes rápidos médicos.

Identificação de madeira ilegal
Scanners portáteis analisam a estrutura celular da madeira para diferenciar espécies protegidas de alternativas legais — ferramenta crucial em regiões com alto índice de desmatamento ilegal, como América do Sul e Sudeste Asiático.

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Monitoramento digital e análise de risco

Grande parte do comércio ilegal migrou para plataformas online. Organizações como o World Wildlife Fund colaboram com empresas de tecnologia para identificar anúncios suspeitos que utilizam linguagem codificada ou emojis para burlar sistemas de moderação.

Entre 2018 e 2023, plataformas digitais removeram ou bloquearam mais de 23 milhões de anúncios e contas ligados à venda de espécies protegidas.

Além disso, softwares analisam milhões de manifestos de carga e licenças para identificar padrões suspeitos: rotas incomuns, preços abaixo do mercado ou espécies raramente exportadas por determinada região. A estratégia permite priorizar inspeções com maior probabilidade de irregularidades.

Base legal e cooperação internacional

O combate ao tráfico também depende da aplicação da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (CITES), tratado que regula o comércio global de espécies ameaçadas. Ferramentas digitais vêm sendo desenvolvidas para compilar legislações de diferentes países, facilitando a atuação de agentes alfandegários.

Pesquisadores da Universidade de Oxford também criaram métodos para cruzar dados comerciais e identificar espécies vulneráveis que podem precisar de maior proteção internacional.

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Tecnologia como aliada, não substituta

Especialistas ressaltam que as ferramentas ampliam — mas não substituem — o trabalho humano. A tecnologia ajuda a direcionar esforços, acelerar identificações e compartilhar informações entre países.

Em um cenário em que redes criminosas mudam rotas, códigos e plataformas com rapidez, o uso de inteligência artificial e análise preditiva pode marcar a transição de uma fiscalização reativa para uma atuação preventiva e coordenada.

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