Um dos meteoritos marcianos mais antigos já encontrados na Terra trouxe novas pistas sobre o passado hídrico de Marte. A análise do NWA 7034, conhecido como “Black Beauty”, revelou uma concentração de água superior ao esperado em sua estrutura interna, sugerindo que o planeta vermelho pode ter sido muito mais úmido no início de sua formação.
O fragmento, com cerca de 320 gramas, foi descoberto em 2011 no deserto do Saara. Embora tenha chegado à Terra há algo entre cinco e dez milhões de anos, o meteorito é datado de mais de 4 bilhões de anos — tornando-se uma das amostras mais antigas da crosta marciana já analisadas.
Técnica inovadora para preservar o material
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade Técnica da Dinamarca, em colaboração com instituições da Suíça e da França. Os resultados foram divulgados em pré-publicação na plataforma arXiv e ainda passarão por revisão científica formal.
Para evitar danos à amostra, os cientistas utilizaram uma combinação de tomografia por raios X e nêutrons — uma espécie de “raio X avançado”. A grande vantagem da técnica com nêutrons é sua alta sensibilidade ao hidrogênio, elemento fundamental na composição da água. Isso permitiu mapear com precisão onde o recurso estava concentrado dentro da rocha.
Segundo os autores, “a tomografia computadorizada por nêutrons é altamente sensível ao hidrogênio e complementa os métodos convencionais por raios X”, tornando-se essencial para identificar minerais hidratados na crosta marciana.
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Água aprisionada em minerais
A análise identificou pequenos aglomerados — chamados de clastos — ricos em oxihidróxidos de ferro, minerais formados pela reação entre ferro e água. Esses agrupamentos concentram cerca de 11% da água detectada no meteorito.
Embora apenas 0,6% da massa total da rocha seja composta por água, essa é a maior proporção já registrada em um meteorito originário de Marte.
Os pesquisadores também constataram que a água não está presente em estado líquido ou congelado, mas quimicamente ligada a minerais — indício de que houve interação prolongada entre água e rocha no passado do planeta.
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Conexão com a cratera Jezero
Outro ponto relevante é a semelhança entre a composição do NWA 7034 e amostras analisadas pelo rover Perseverance na cratera Jezero, região que já foi considerada um antigo lago marciano.
Essa coincidência reforça a hipótese de que a água não era localizada, mas possivelmente distribuída em diversas regiões do planeta há bilhões de anos — condição vista como essencial para a existência de ambientes potencialmente habitáveis.
A descoberta amplia o entendimento sobre a história geológica de Marte e pode ajudar a direcionar futuras missões espaciais em busca de vestígios de vida antiga.
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