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quarta-feira, setembro 16, 2026

Técnica experimental reverte perda de memória em ratos ao “rejuvenescer” neurônios

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Pesquisadores conseguiram restaurar a memória em ratos idosos por meio de uma técnica de “reprogramação parcial” de neurônios ligados ao armazenamento de lembranças. O estudo, publicado na revista científica Neuron, sugere que é possível recuperar funções cognitivas ao rejuvenescer células específicas do cérebro.

Ao longo da vida, o cérebro depende da chamada plasticidade neuronal — a capacidade de ajustar conexões entre células nervosas — para formar e consolidar memórias. Com o envelhecimento ou em doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, essa capacidade diminui, contribuindo para o declínio cognitivo.

A pesquisa se concentrou em grupos específicos de neurônios conhecidos como “engramas”, que são ativados durante o aprendizado e reativados quando uma memória é recuperada. Em cérebros envelhecidos, essas células podem perder eficiência, prejudicando a evocação de lembranças.

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Rejuvenescimento direcionado

O experimento foi conduzido por cientistas da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), na Suíça. A equipe utilizou uma abordagem genética para estimular temporariamente três genes — Oct4, Sox2 e Klf4, conhecidos em conjunto como “OSK” — apenas nos neurônios de engrama ativados durante o aprendizado.

Diferentemente de estudos anteriores que induziam esses genes em todo o cérebro, os pesquisadores aplicaram a técnica de forma direcionada, usando um sistema de marcação fluorescente para identificar as células ativadas e um mecanismo genético que funcionava como um “interruptor” temporário para ativar o OSK.

As intervenções ocorreram em regiões fundamentais para a memória, como o giro denteado do hipocampo, associado à formação de memórias recentes, e o córtex pré-frontal medial, ligado à consolidação de memórias de médio e longo prazo.

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Resultados promissores

Após a ativação breve dos genes nos neurônios-alvo, ratos idosos apresentaram melhora significativa no desempenho em testes de memória, alcançando níveis semelhantes aos de animais jovens. Além disso, os neurônios tratados exibiram sinais moleculares de rejuvenescimento, mantendo sua identidade celular, mas com características associadas a um estado biológico mais jovem.

A técnica também foi testada em modelos animais com características semelhantes às do Alzheimer. Nesses casos, parte das alterações na atividade gênica e na função dos neurônios de engrama foi revertida, com melhora em tarefas que envolviam navegação espacial e memória.

Apesar do avanço, os pesquisadores ressaltam que os resultados ainda se limitam a modelos animais. Novos estudos serão necessários para avaliar segurança, eficácia e possíveis aplicações em células humanas. A reprogramação genética parcial, embora promissora, ainda está em fase experimental e longe de se tornar tratamento clínico.

 

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