Uma moradora de Florianópolis admitiu à Polícia Civil que divulgou uma informação falsa relacionada ao caso do cão comunitário Orelha, morto após sofrer maus-tratos no bairro Praia Brava. Em depoimento, ela reconheceu que não existe o suposto vídeo do espancamento do animal mencionado por ela em uma publicação nas redes sociais.
Segundo as autoridades, a mulher afirmou ter reproduzido uma informação que circulava em um grupo de mensagens, na qual se dizia que um porteiro teria registrado em vídeo a agressão ao cachorro e que, posteriormente, teria sido coagido a apagar o material. A versão foi desmentida durante a investigação.
“Partiu de mim o post que contou, só que eu não imaginei que fosse repercutir tanto. Aí, quando eu comecei a perceber que o post tinha viralizado e começaram a falar de represálias às crianças, eu não acho certo isso”, declarou a moradora em depoimento obtido pelo Fantástico.
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Questionada se chegou a assistir ao suposto vídeo, ela afirmou que acreditou no relato feito por outra pessoa e reconheceu o erro. “Essa menina também colocou no grupo que ele teria filmado os garotos indo atrás dos cachorros. Em seguida, o pai de um dos menores foi até ele e ameaçou ele, que ele tirasse o post do grupo. Então, eu acho que essa parte aí eu pequei, porque eu não deveria ter acreditado nela”, afirmou.
Investigação segue em sigilo
O caso Orelha mobilizou moradores e ganhou repercussão nacional após a morte do cão, registrada na madrugada de 4 de janeiro. Laudos da Polícia Científica apontaram que o animal sofreu uma pancada contundente na cabeça. Ele chegou a ser socorrido no dia seguinte, mas morreu em uma clínica veterinária em razão da gravidade dos ferimentos.
A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu a investigação no início de fevereiro. Um dos adolescentes suspeitos teve a internação solicitada, e três adultos foram indiciados por coação a testemunha. Ao todo, quatro adolescentes foram representados no processo, que tramita em segredo de Justiça por envolver menores de idade, conforme informou o Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
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Durante as apurações, 24 testemunhas foram ouvidas, e os investigadores analisaram mais de mil horas de imagens captadas por 14 câmeras instaladas na região para tentar identificar o responsável pela agressão.
A Polícia Civil reforçou que a divulgação de informações não confirmadas pode prejudicar investigações e gerar consequências graves, incluindo acusações injustas e ameaças a pessoas que não têm relação comprovada com o crime.
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