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quarta-feira, setembro 16, 2026

Trump rejeita pedido de desculpas após vídeo racista com os Obama

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (6) que não pretende se desculpar pela divulgação de um vídeo de teor racista envolvendo o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama. Segundo Trump, a publicação não representou um erro de sua parte, apesar da forte repercussão negativa.

O vídeo, compartilhado na rede social Truth Social, trazia uma montagem ofensiva que associava o casal Obama a imagens de macacos e foi removido cerca de 12 horas após ir ao ar. Questionado por jornalistas a bordo do avião presidencial, o Air Force One, Trump afirmou que não havia assistido ao material por completo antes de autorizar a postagem.

“Só vi a primeira parte, que falava sobre fraude eleitoral… e não o vi completo”, declarou o presidente. Ele disse ainda que encaminhou o conteúdo para sua equipe, que também não teria analisado o vídeo integralmente. “Geralmente elas [da equipe] olham tudo, mas acho que alguém não olhou”, afirmou.

Mesmo diante das críticas, Trump foi categórico ao negar qualquer responsabilidade. “Não, eu não cometi um erro”, disse, em declaração repercutida pelo The New York Times.

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Reações e versões oficiais

A divulgação do vídeo provocou reações imediatas no meio político e entre lideranças democratas. Inicialmente, a Casa Branca tentou minimizar o episódio. Em comunicado enviado à AFP, a secretária de Imprensa, Karoline Leavitt, classificou as críticas como exageradas e afirmou que se tratava de um “meme da internet” que retratava Trump como o “rei da selva” e os democratas como personagens do filme O Rei Leão. “Parem com essa indignação falsa e noticiem algo que realmente importe ao público americano”, declarou.

Com o avanço da repercussão negativa, a versão oficial foi ajustada. Um alto funcionário do governo informou à AFP que a postagem teria ocorrido de forma acidental e que o conteúdo foi removido assim que identificado. Não foram detalcidos, no entanto, os procedimentos de controle sobre a conta pessoal do presidente na plataforma.

Além do caráter racista, o vídeo também reproduzia alegações falsas sobre fraude eleitoral, incluindo teorias conspiratórias já desmentidas que envolvem a empresa Dominion Voting Systems nas eleições presidenciais de 2020.

Críticas políticas

A reação de lideranças democratas foi imediata. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, classificou o episódio como inaceitável. “Comportamento repugnante do presidente. Todo republicano deve denunciar isto. Agora”, publicou a assessoria de imprensa do governador na rede social X.

Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional e aliado de Barack Obama, também se manifestou. “Deixem que Trump e seus seguidores racistas sejam assombrados porque os americanos do futuro verão os Obamas como figuras queridas, enquanto o estudam como uma mancha em nossa história”, escreveu.

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Histórico recente

Barack Obama, que governou os Estados Unidos por dois mandatos, apoiou a candidatura democrata de Kamala Harris na eleição de 2024, vencida por Trump. Desde o início de seu segundo mandato, o presidente tem intensificado o uso de publicações provocativas nas redes sociais como forma de mobilizar sua base política.

Nos últimos anos, Trump também ampliou o uso de imagens e vídeos gerados por inteligência artificial para atacar adversários. Em 2025, ele divulgou um clipe que mostrava Obama sendo preso no Salão Oval e, posteriormente, aparecendo atrás das grades com uniforme de detento. As postagens, concentradas principalmente na Truth Social, costumam mesclar teorias conspiratórias, sátira política e ataques diretos a opositores.

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