Preso desde 15 de janeiro no Complexo Penitenciário da Papudinha, em Brasília, Jair Bolsonaro segue exercendo papel central nas articulações políticas da direita para as próximas eleições. De dentro da unidade prisional, o ex-presidente tem orientado a formação de palanques estaduais, definido nomes estratégicos e buscado preservar sua liderança sobre o PL e partidos aliados.
A cela ocupada por Bolsonaro passou a funcionar como um verdadeiro “QG” político, com agenda organizada de visitas e discussões focadas no cenário eleitoral. Na semana passada, ele recebeu o governador paulista Tarcísio de Freitas, encontro que resultou na confirmação da candidatura à reeleição em São Paulo. Foi a primeira reunião entre os dois desde a escolha do senador Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência.
Após esse encontro, Bolsonaro encaminhou ao Supremo Tribunal Federal uma lista de solicitações de visitas. As autorizações foram concedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, permitindo que parlamentares mantenham diálogo direto com o ex-presidente ao longo de fevereiro.
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Estão previstas visitas dos deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Ubiratan Sanderson (PL-RS), além dos senadores Bruno Bonetti (PL-RJ) e Carlos Portinho (PL-RJ), líder do partido no Senado. Em pauta, a definição de candidaturas estaduais e a organização das alianças regionais do campo conservador.
A estratégia adotada por Bolsonaro remete a um precedente recente da política brasileira. Em 2018, Luiz Inácio Lula da Silva, então preso em Curitiba, comandava decisões internas do PT e influenciava diretamente a escolha de candidatos. Na ocasião, foi de dentro da Superintendência da Polícia Federal que Lula deu aval à candidatura de Fernando Haddad ao Planalto.
No campo das alianças, a escolha de Flávio Bolsonaro como nome do grupo aprofundou o afastamento entre o bolsonarismo e setores da chamada “direita moderada”. O PSD, liderado por Gilberto Kassab, passou a investir em alternativas próprias para a disputa presidencial, enquanto Tarcísio se manteve alinhado à família Bolsonaro — movimento que, segundo Kassab, confundiria “gratidão com submissão”.
Minas Gerais também ocupa posição estratégica nas conversas conduzidas por Bolsonaro. O deputado Nikolas Ferreira, que visitará o ex-presidente no dia 21 de fevereiro, deve tratar especificamente do palanque mineiro. O PL avalia atrair o governador Romeu Zema para compor uma chapa nacional, mas o próprio Zema já sinalizou que não pretende disputar a vice-presidência.
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Considerado o segundo maior colégio eleitoral do país, Minas é visto como decisivo nas eleições presidenciais, histórico que reforça o interesse do partido em fortalecer sua presença no estado.
As articulações atuais não são novidade na trajetória recente de Bolsonaro. Durante o período em que esteve em prisão domiciliar no Solar de Brasília, o ex-presidente manteve intensa agenda política, com dezenas de encontros com aliados, parlamentares e lideranças partidárias.
Agora, mesmo em regime fechado, Bolsonaro demonstra que sua capacidade de influência permanece ativa — e que, para a oposição, a disputa eleitoral já começou, ainda que entre grades.
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