Uma descoberta inesperada surpreendeu cientistas no Japão. Uma nova espécie de joaninha foi identificada não em uma floresta remota, mas em uma árvore localizada no campus da Universidade de Kyushu, no sul do país. O achado ocorreu durante um estudo de revisão taxonômica e revelou que a biodiversidade ainda guarda surpresas mesmo em ambientes urbanos e acadêmicos.
A pesquisa tinha como objetivo revisar a classificação da tribo Stethorini, grupo de joaninhas de pequeno porte conhecidas por se alimentarem de ácaros. Ao investigar pinheiros — habitat típico desses insetos — a entomóloga Ryōta Seki decidiu procurar exemplares na própria universidade onde trabalha. O resultado foi a identificação de uma espécie até então desconhecida pela ciência.
“Normalmente, os colecionadores de insetos não prestam muita atenção aos pinheiros, o que talvez explique por que os cientistas negligenciaram essa espécie por tanto tempo”, afirmou a pesquisadora em comunicado.
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Um inseto quase invisível
Batizada de Parastethorus pinicola, a nova joaninha recebeu esse nome em referência ao pinheiro-negro-japonês onde foi encontrada. O estudo foi publicado em novembro na revista científica Acta Entomologica Musei Nationalis Pragae.
O desafio para identificar o inseto foi significativo. Com pouco mais de um milímetro de comprimento — tamanho comparável ao de um grão de areia — e coloração predominantemente preta, a joaninha se camufla facilmente na casca das árvores. Ainda assim, os pesquisadores conseguiram coletar cerca de 1,7 mil exemplares para análise detalhada.
“Joaninhas tão pequenas e escuras são extremamente difíceis de diferenciar. Sem a dissecação e a análise dos órgãos reprodutivos ao microscópio, elas parecem todas iguais”, explicou Seki.
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Outras descobertas no mesmo estudo
Além da nova espécie, o trabalho trouxe mais dois avanços importantes. Uma joaninha bastante comum no Japão, antes classificada como Stethorus japonicus, foi reavaliada e passou a integrar a espécie Stethorus siphonulus, após análise morfológica mais precisa.
Os cientistas também identificaram uma segunda espécie inédita, batizada de Stethorus takakoae, nome dado em homenagem à avó da pesquisadora principal, Takako Ōtsuki.
Para a equipe, essas descobertas vão além da curiosidade científica. A padronização da classificação das espécies facilita o intercâmbio de dados entre pesquisadores de diferentes países asiáticos, onde esses insetos também são encontrados, e contribui para uma compreensão mais precisa da biodiversidade local.
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