Ativistas e organizações civis convocaram uma greve nacional nos Estados Unidos para esta sexta-feira (30), em protesto contra as operações do Immigration and Customs Enforcement (ICE). A mobilização, batizada de National Shutdown, defende uma paralisação ampla — sem trabalho, sem aulas e sem consumo — em diversas cidades do país.
O chamado ganhou força após uma série de protestos em Minnesota, onde milhares de pessoas foram às ruas e centenas de estabelecimentos fecharam as portas na semana passada. As manifestações ocorreram depois da morte de Renee Good, de 37 anos, atingida por disparos de uma agente do ICE durante uma operação. No dia seguinte, outro episódio agravou a tensão: o enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, foi morto por agentes federais em Minneapolis.
Em mensagem divulgada no site do movimento, os organizadores afirmam que “a população das Twin Cities mostrou o caminho para o país inteiro” e defendem que a única forma de encerrar o que chamam de “reinado de terror do ICE” é interromper as atividades econômicas e sociais.
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Casos recentes ampliam indignação
Os organizadores da greve afirmam que há um sentimento generalizado de choque diante das mortes recentes atribuídas à polícia de imigração. Entre os casos citados estão o de Keith Porter Jr., de 43 anos, morto a tiros por um agente do ICE fora de serviço em Los Angeles na noite de Ano Novo, e o de Silverio Villegas González, de 38 anos, morto em setembro passado em um subúrbio de Chicago.
O governo do presidente Donald Trump sustenta que, em todos os episódios, os agentes agiram em legítima defesa. Ainda assim, as ocorrências em Minneapolis provocaram críticas de parlamentares de diferentes partidos e impulsionaram manifestações em várias regiões do país.
Segundo o movimento National Shutdown, vídeos que circulam nas redes sociais contradizem a versão oficial e indicam que algumas vítimas foram mortas “em plena luz do dia”, enquanto exerciam o direito constitucional de protestar contra deportações em massa.
Reação presidencial e apoio de celebridades
Em publicação na plataforma Truth Social, Trump afirmou que Alex Pretti era um “agitador e, talvez, um insurrecionista”. “A reputação de Alex Pretti caiu muito com o vídeo recém-divulgado em que ele aparece gritando e cuspindo no rosto de um agente do ICE”, escreveu o presidente, ao se referir a imagens gravadas dias antes da morte do enfermeiro.
O movimento de paralisação é descrito como descentralizado e conta com apoio de grupos em cidades como Minneapolis, Cleveland e Nova York. Entre as organizações envolvidas estão a Defend Immigrant Families Campaign, o Council on American–Islamic Relations, a Poor People’s Campaign da Carolina do Norte, o LA Tenants Union e coletivos estudantis da Universidade de Minnesota.
Artistas e celebridades também passaram a divulgar a greve nas redes sociais. Entre eles estão Pedro Pascal, Hannah Einbinder, Edward Norton e Jamie Lee Curtis. Em uma publicação no Instagram, Pascal escreveu que “a verdade é a linha que separa um governo democrático de um regime autoritário”.
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Negociações seguem em Washington
Enquanto os protestos se espalham, democratas e a Casa Branca chegaram a um acordo temporário para evitar uma paralisação parcial do governo federal. O Congresso decidiu separar o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS) do restante do orçamento e garantir recursos por duas semanas, enquanto continuam as negociações sobre possíveis limites às operações do ICE.
O acordo ocorreu após democratas bloquearem um projeto que previa o financiamento integral do DHS. Nas redes sociais, Trump afirmou que republicanos e democratas “se uniram para manter a maior parte do governo financiada até setembro” e pediu apoio bipartidário à proposta.
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