Médicos da Northwestern Medicine realizaram um feito considerado histórico ao manter um paciente vivo por 48 horas após a remoção completa dos pulmões. O procedimento ocorreu no Northwestern Memorial Hospital e teve os detalhes técnicos divulgados nesta semana, embora a cirurgia tenha sido realizada em 2023.
A intervenção foi adotada como última alternativa para conter uma infecção agressiva causada pela bactéria Pseudomonas aeruginosa, que evoluiu rapidamente de um quadro gripal para pneumonia necrosante e sepse. Segundo a equipe médica, os pulmões haviam se tornado o principal foco de falência orgânica, impedindo qualquer chance de recuperação do restante do organismo.
De acordo com o cirurgião torácico Ankit Bharat, responsável pelo caso, o comprometimento era tão severo que “os órgãos estavam se liquefazendo”, o que exigiu uma decisão extrema para salvar a vida do paciente.
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Cirurgia antes do transplante
Diante da gravidade do quadro, os médicos optaram por realizar uma pneumonectomia bilateral — a retirada dos dois pulmões — mesmo sem um doador disponível naquele momento. Para manter o paciente vivo durante o intervalo até o transplante, foi utilizado um sistema experimental chamado Total Artificial Lung (TAL).
O equipamento assumiu temporariamente a função pulmonar, garantindo a oxigenação do sangue e a estabilidade do fluxo circulatório. Segundo os especialistas, o sistema conseguiu compensar a ausência da complexa rede vascular pulmonar e evitar o colapso cardíaco durante o período crítico de espera.
Para preservar a anatomia torácica, os cirurgiões também implantaram expansores preenchidos com soro fisiológico no espaço deixado pelos pulmões, mantendo o coração corretamente posicionado até a realização do transplante.
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Confirmação científica da irreversibilidade
A relevância do caso foi reforçada por análises laboratoriais avançadas feitas nos tecidos removidos. Por meio de mapeamento molecular, os pesquisadores identificaram que não havia qualquer potencial de regeneração pulmonar, confirmando que a retirada completa dos órgãos era a única alternativa viável de sobrevivência.
Esses dados constam no relatório oficial divulgado pela universidade e devem embasar um artigo científico que ainda aguarda publicação na revista Med.
Após o transplante pulmonar bem-sucedido, o paciente conseguiu retomar atividades cotidianas de forma independente. Para a equipe médica, o caso estabelece um novo paradigma para o tratamento de insuficiência pulmonar extrema e pode influenciar protocolos de transplante de emergência em centros médicos ao redor do mundo.
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