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quarta-feira, setembro 16, 2026

Treze anos depois, a espera continua no terreno da Boate Kiss

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O dia 27 de janeiro voltou a carregar silêncio, velas e memória em Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul. Treze anos após o incêndio que matou 242 pessoas na Boate Kiss, familiares das vítimas seguem se reunindo diante do mesmo endereço onde tudo aconteceu — agora cercado por tapumes e máquinas, à espera da conclusão do memorial prometido desde 2013.

Ao longo dos anos, o espaço passou das ruínas do prédio destruído para o canteiro de obras iniciado em julho de 2024. A expectativa inicial era de que o memorial fosse entregue ainda em 2025, mas entraves técnicos acabaram alterando o cronograma e prolongando a espera de quem convive com o luto há mais de uma década.

Segundo a prefeitura, o projeto precisou ser revisto após a constatação de que o terreno disponível era menor do que o previsto na concepção original. As adaptações exigiram a interrupção da obra entre fevereiro e dezembro de 2025, período em que foram incorporadas novas intervenções estruturais, como drenagem para manejo das águas pluviais, aterros controlados e regularização do solo.

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Além disso, o memorial passou por uma reclassificação no Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio. A mudança ocorreu após a Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM) autorizar a possibilidade de locação do espaço para terceiros no futuro, o que demandou ajustes nas normas de segurança.

Entre as exigências adicionais está a construção de um corredor lateral com ventilação mecânica forçada, solução necessária para garantir uma segunda rota de fuga, conforme as regras do Corpo de Bombeiros Militar. Com a retomada dos trabalhos no fim de 2025, a nova previsão de entrega passou a ser junho de 2026.

Para as famílias, no entanto, cada novo prazo representa mais um capítulo de desgaste emocional. Marines Barcellos, mãe de uma das vítimas, resume o sentimento de exaustão diante da demora. “A gente queria descansar. Parece que estamos batendo em uma pedra, bate, bate e não acontece nada. Demorou para ter o julgamento, agora demora para ter o memorial”, desabafa.

A frustração também se estende ao percurso judicial do caso. O julgamento dos réus ocorreu apenas em 2021, oito anos após a tragédia. As condenações determinadas pelo júri popular foram posteriormente anuladas pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, o que levou o processo ao Supremo Tribunal Federal. Em setembro de 2024, o ministro Dias Toffoli derrubou a anulação, restabelecendo as condenações, mas com penas reduzidas, de cerca de 20 para aproximadamente 10 anos.

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O incêndio da Boate Kiss deixou, além das 242 mortes, mais de 600 feridos. O fogo começou após o acionamento de um artefato pirotécnico por um integrante da banda que se apresentava na noite da tragédia. As chamas se espalharam rapidamente ao atingirem a espuma instalada no teto, que liberou fumaça altamente tóxica.

Quando concluído, o memorial contará com um jardim circular formado por 242 pilares de madeira, cada um identificado com o nome de uma vítima. O espaço também incluirá áreas destinadas a exposições, atividades educativas e eventos de memória.

De acordo com a prefeitura, a estrutura terá 383,65 metros quadrados de área construída em um único pavimento, com salas multiuso, auditório, banheiros, área técnica, varanda e jardim. A edificação será composta por uma estrutura mista de concreto armado e madeira laminada colada.

Para os familiares, o significado do memorial vai além da arquitetura. “As memórias estão ali para serem lembradas e não deixarem a história morrer, além de contribuir para a prevenção [de novas tragédias]”, afirma Flávio Silva, pai de uma das vítimas e presidente da AVTSM.

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